Reações à nomeação de D. José Tolentino Mendonça

D.R.

As reações à nomeação de D. José Tolentino Mendonça como arquivista e bibliotecário da Santa Sé, por parte do Papa Francisco não se fizeram esperar e vieram dos mais diversos quadrantes da sociedade portuguesa, mas especialmente da Igreja.

O bispo do Funchal, por exemplo, em nota publicada no site da Diocese saudou a nomeação de um “cooperador no diálogo da Igreja com a cultura”.

“Foi nesta diocese que nasceu, cresceu e foi ordenado sacerdote. Daqui partiu para Roma para continuar e aprofundar a sua formação académica. Apesar dos seus estudos e da sua missão em Lisboa continuou profundamente ligado à sua terra natal e ao presbitério diocesano, com claro reconhecimento do seu valor pela sociedade e pelo clero madeirense”, realça D. António Carrilho.

O responsável pela diocese madeirense apresenta o novo responsável da Cúria Romana como um homem da “linha da frente do diálogo entre a Igreja e a cultura”, padre, poeta e escritor com “uma grande preparação teológica e uma paixão pastoral”.

“Felicitamos e desejamos ao padre Tolentino Mendonça as maiores bênçãos nesta nova missão como cooperador do Papa Francisco ao serviço da Igreja universal”, conclui o bispo do Funchal.

“Enorme júbilo”

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), também saudou a referida nomeação. Em nota enviada à Agência ECCLESIA, a CEP “congratula-se com esta nomeação, que reconhece a competência e o saber do padre José Tolentino para bem servir a Igreja Universal nesta tão importante missão. Invocamos as bênçãos do Senhor para que o padre Tolentino exerça este ministério com a humildade, a simplicidade, a sabedoria e a dedicação que bem o caracterizam”.

A Universidade Católica Portuguesa (UCP), de que o padre José Tolentino Mendonça é vice-reitor, manifesta em comunicado “enorme júbilo” pela escolha do Papa Francisco, sublinhando que o vice-reitor da instituição académica vai dirigir “a mais antiga biblioteca do mundo”.

Em texto enviado à Agência ECCLESIA recorda o percurso do novo arcebispo português na UCP e termina com um agradecimento pelo “trabalho notável” realizado na instituição. A reitora da UCP, Isabel Capeloa Gil, elogia Tolentino Mendonça como “um dos mais destacados teólogos portugueses com projeção internacional”.

“Em toda a sua ação se refletiu sempre um serviço abnegado à causa da Universidade Católica, articulando em simbiose singular a solidez científica, o acompanhamento pastoral e o sentido de estética e de sensibilidade maior à beleza do mundo”, pode ler-se.

“Sensibilidade cultural e pastoral”

O cardeal-patriarca de Lisboa e o ministro da Cultura também saudaram a nomeação do português José Tolentino Mendonça para um cargo no Vaticano, pelo Papa Francisco.

D. Manuel Clemente disse à ECCLESIA que é uma “grande alegria” ver o novo arcebispo português num “cargo tão importante para a vida cultural da Igreja”.

O cardeal-patriarca elogiou a “sensibilidade cultural e pastoral” do novo responsável português, com um percurso eclesial e na sociedade que vai ajudar a Igreja Católica a prestar um “serviço” ao mundo com o património que conserva.

“Ninguém melhor do que D. José Tolentino Mendonça para desempenhar essa função”, acrescentou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, sublinhando a sua capacidade “de intervir, de criar” desde os primeiros tempos de formação sacerdotal.

Já Luís Filipe Castro Mendes, ministro da Cultura, disse por sua vez à ECCLESIA que reage com “grande alegria” a esta nomeação, deixando uma “palavra de admiração” ao novo responsável pelo Arquivo Secreto e pela Biblioteca do Vaticano. “É uma figura intelectual de grande relevância da nossa Cultura”, observou o governante.

Ato que engrandece o nome de Portugal

Por seu turno, o presidente da República felicitou D. José Tolentino Mendonça pela nomeação para a Santa Sé, afirmando que é um ato que “engrandece o nome de Portugal”.

“Esta nomeação é um ato que engrandece o nome de Portugal, reconhecendo a trajetória de vida e a densidade espiritual, intelectual e humana de José Tolentino Mendonça”, refere Marcelo Rebelo de Sousa numa nota publicada na página da internet da presidência da República.

O presidente da República manifesta ao “amigo e admirador” as “mais cordiais saudações”, referindo que D. Tolentino Mendonça é um “vulto maior da cultura portuguesa contemporânea”.

“Sacerdote admirado pelos Portugueses, vulto maior da cultura portuguesa contemporânea, o gesto do Santo Padre representa para D. Tolentino Mendonça o justo e merecido culminar de um exemplar percurso de fé, caminho em que a palavra tem papel decisivo”, sublinha.

“Orgulho” pela nomeação 

Por seu turno, o Governo Regional da Madeira, através de comunicado, também manifesta “o seu maior regozijo e o seu grande orgulho pela nomeação, pelo Papa Francisco, do padre madeirense José Tolentino de Mendonça para o cargo de arquivista e bibliotecário ‘da Santa Igreja Romana’, missão para o qual lhe foi atribuída a dignidade de arcebispo”.

O Papa Francisco nomeou esta terça-feira, dia 26 de junho, o padre José Tolentino Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, como arquivista e bibliotecário “da Santa Igreja Romana”, elevando-o à “dignidade” de arcebispo.

A tomada de posse está marcada para 1 de setembro, de acordo com o comunicado da sala de imprensa da Santa Sé; simbolicamente, o futuro arcebispo recebeu a antiga sede episcopal de Suava, no norte de África.

O padre e poeta madeirense orientou este ano o retiro de Quaresma do Papa Francisco e seus mais diretos colaboradores, entre 18 e 23 de fevereiro em Ariccia, localidade nos arredores de Roma.

D. José Tolentino Mendonça nasceu em Machico em 1965 e foi ordenado padre em 1990; é doutorado em Teologia Bíblica.

A 26 de abril, o autor apresentou em Lisboa o seu novo livro, ‘Elogio da Sede’, propondo uma Fé capaz de “partir do real mais próximo”, o de cada pessoa.

“Hoje, estamos confrontados com a necessidade de criar uma espiritualidade que parta disto que somos: se é o teu ponto de partida é a ferida, vamos falar da feridade”, disse, ao falar sobre a obra que recolhe as 10 reflexões que preparou para o Papa, no seu retiro de Quaresma deste ano.