Catequistas desafiados a viverem a fé e a serem bússolas na vida dos catequizandos

O Dia Diocesano do Catequista terminou com uma Eucaristia, no decorrer da qual D. António Carrilho agradeceu a todos pela dedicação e pelo tempo que dispensam a esta missão.

Foto: Duarte Gomes

A Paróquia de Santa Cecília recebeu na tarde deste domingo, dia 10 de Junho, o Dia Diocesano do Catequista. Trata-se de uma iniciativa promovida pelo Secretariado Diocesano da Educação Cristã (SDEC), que contou, segundo o Pe. Héctor Figueira, coordenador do SDEC, com a presença de perto de mil pessoas, entre catequistas, sacerdotes e outros elementos.

Pe. Hector Figueira | Foto Duarte Gomes

‘Dia Diocesano do Catequista – Jovens, fé e vocação’ foi a temática escolhida para este dia, estando a mesma relacionada com o Sínodo dos Bispos convocado pelo papa Francisco, intitulado ‘Jovens, a fé e o discernimento vocacional’. Além disso, conforme nos explicou o Pe. Hector, o tema também foi escolhido porque “as questões vocacionais se colocam mais cedo.” Os próprios catecismos, “de acordo com as caraterísticas psicológicas de cada idade, propõe a vocação não apenas como um jeito que se tem para alguma coisa, mas como um verdadeiro chamamento da parte de Deus, através da Igreja”. 

Ainda sobre a escolha do tema, o coordenador do SDEC, lembrou que  “não é raro ouvir os testemunhos de alguns padres e religiosos que dizem que optaram por esta vocação porque ‘o meu catequista falou-me disto’”. Assim se explica, também a escolha dos oradores da tarde, nomeadamente no que concerne à psicologia: “Há um princípio da Teologia muito antigo, que diz que a graça supõe e aperfeiçoa a natureza, a psicologia  e as demais ciências humanas dirão se há natureza onde assente a graça.”

O programa deste Dia Diocesano, que começou pelas 14:30 horas e terminou com uma missa presidida pelo bispo do Funchal,  então compreendeu duas intervenções, uma sobre ‘Catequistas para os tempos de hoje’, pelo padre David Teixeira, e outra precisamente sobre o ‘Discernimento e acompanhamento dos jovens’, a cargo da psicóloga Natália Pita.

Sentir a força da fé

Pe. David Teixeira | Foto: Duarte Gomes

Ao Jornal da Madeira o Pe. David Teixeira, Vice-Diretor da comunidade Salesiana do Funchal e Coordenador Pastoral, disse que um dos grandes desafios que se colocam aos catequistas nos dias de hoje é “viverem eles próprios a Fé”. 

Muitas vezes, frisou, “o catequista está tão preocupado em passar a informação, a doutrina, que se esquece de sentir ele próprio a força da fé”. Depois, perante as dificuldades, que as há, “o catequista só pode encontrar algum descanso e alguma força, precisamente na fé”. Por outras palavras, “as coisas têm de fazer sentido para eles, para então serem passadas aos outros”. 

Para isso, o Pe. David aproveitou para deixar “algumas armas” de que os catequistas se podem munir para desempenhar a sua missão, porque “os nossos maiores problemas não são as crianças, os pais das crianças, ou párocos. É um espírito do mal que nos insinua coisas que vão deitando abaixo e nos fazem desistir”. Mesmo assim, sublinhou, “fiquei surpreendido com o número de catequistas que a ilha tem”. 

Temos de ser bússolas

Dr. Natália Pita | Foto: Duarte Gomes

Já Natália Pita falou na necessidade de quem lida com os jovens, neste caso particular os catequistas, se tornarem “melhores bússolas”, capazes de os orientar no seu percurso. Num mundo em constante evolução e em que os jovens têm de tomar decisões constantemente, “acompanhá-los é um verdadeiro desafio”, disse a psicóloga, segundo quem às vezes ser só racional não chega. É preciso entrar no mundo emocional.

Natália Pita deixou ainda algumas dicas para conseguir que esse acompanhamento seja efetivo, nomeadamente “gostar dos jovens e interessar-se pela sua vida”; “cultivar momentos de diálogo individual e em grupo”; “ouvi-los verdadeiramente”; “aceitá-los como eles são”; “ajudar sem julgar”; “dizer-lhes que a ansiedade que sentem perante a tomada de certas decisões é normal” e “incentivá-los a sonhar”. 

Quanto à escolha de uma profissão ou de uma vocação, disse Natália Pita, “a mais acertada é sempre aquela que dá sentido à vida”, independentemente dos esforços e dos obstáculos que tenhamos de enfrentar para lá chegar.

Gratidão pela dedicação

A seguir a estas duas intervenções e para terminar este Dia Diocesano do Catequista, celebrou-se uma Eucaristia, presidida por D. António Carrilho. O prelado enalteceu o trabalho dos catequistas, a quem deixou o seu “reconhecimento e gratidão, como bispo da Diocese, por toda a vossa dedicação, o vosso trabalho, pelo modo como muito sacrificais, para poder servir as exigências desta missão”.

Com o ano catequético a terminar, D. António reconheceu poder ser este um momento para “consciencializar as dificuldades sentidas”, mas também para “dar graças a Deus”  e para lembrar “tudo aquilo que de bom se transmitiu, em palavras e testemunho de vida” às crianças, adolescentes e jovens. Uma missão que foi desempenhada à luz do Evangelho, “procurando abrir caminho para que se encontre a bússola, como à pouco se dizia, que possa ajudar cada um a descobrir o seu percurso, o caminho que tem de percorrer, aquilo que há de ser a vida no presente e em projeto o futuro”.

Referindo-se ao tema escolhido – “Jovens, fé e vocação” – D. António lembrou que o mesmo está “ligado a um projeto de igreja Universal, lançado pelo Papa Francisco”, que tem vindo a vai ser alvo de uma reflexão e aprofundamento que se intensificará em outubro, no Sínodo dos Bispos, sobre os jovens. 

Neste contexto, o prelado disse que as reflexões da tarde foram “um momento de pensar e repensar a missão,  o compromisso e modo de o assumir e realizar”. Uma missão que foi também assumida pela Diocese do Funchal, ao dedicar o Ano Pastoral aos jovens e ao reconhecer a importância dos mesmos para o presente e o futuro da Igreja. Tudo isto, claro, “sem esquecer os mais velhos e os mais pequeninos”, mas “é abrirmo-nos nós próprios a uma exigência maior na resposta aos problemas dos jovens e na preocupação de que os jovens, cada vez mais, reconheçam e sintam o seu lugar na Igreja”.

Para isso deixou o desafio: “Saibamos dar-mos as mãos para o compromisso que reconhece e como que ganha uma exigência nova em termos de compromisso”, aguardando as orientações e alertas que certamente vão chegar do Sínodo.

Refira-se que este Dia Diocesano do Catequista instituiu-se com a entrada de D. António Carrilho na diocese (maio de 2007) e ao longo destes anos tem-se realizado em várias localidades da Madeira.