Crismados da Vitória/Santa Rita querem “ajudar a Igreja a rejuvenescer em novos sonhos e projetos, novas ideias e atitudes”

Foram 16 os jovens que receberam o Sacramento da Confirmação, numa cerimónia presidida por D. António e que marcou também o fim do ano catequético.

Foto: Duarte Gomes

A Comunidade Paroquial da Vitória/Santa Rita acolheu, ao fim da tarde deste sábado, dia 9 de Junho, o bispo do Funchal, que ali se deslocou para presidir à Eucaristia, durante a qual administrou o Sacramento da Confirmação a 16 jovens, uma das quais vinda da Paróquia de São Roque.

A celebração contou com a apresentação de alguns símbolos que deram ainda mais sentido à Eucaristia, mas que serviram também para marcar o encerramento do ano catequético naquela comunidade paroquial.

Antes disso uma jovem, em nome do grupo de crismandos, agradeceu a presença do bispo diocesano, a quem disse que os jovens ali presentes queriam ”ajudar a Igreja a rejuvenescer, não só em idade, mas em novos sonhos e projetos, novas ideias e atitudes”.

Em resposta, o prelado disse que houve coisas que fixou logo e que ficou “contente por as mesmas terem sido ditas não por mim, mas por quem veio em nome de todos dar-me as boas vindas”. Quando “ouvimos alguém dizer que quer ajudar a Igreja a rejuvenescer, não só em idade mas em novos sonhos e projetos, em novas ideias e em novas aberturas, ficamos a contar com essa ajuda e esse compromisso da vossa parte”.

Coube depois ao pároco, neste caso ao Pe. Manuel Ramos, agradecer também a presença do bispo diocesano e dizer-lhe que o grupo de 16 jovens  estava apto a receber o Sacramento da Confirmação. “Apesar do relativismo que se vive muitas vezes, do afastamento da realidade da caminhada da fé”, o Pe. Ramos disse que “há sempre a esperança nestas sementes semeadas neste jovens, naquilo que é a caminhada na catequese e que assim se projeta e vive também a realidade da Igreja, no dia de amanhã.”

D. António Carrilho, por sua vez, agradeceu as palavras de acolhimento, a apresentação do grupo feita pelo Pe. Ramos e “a surpresa dos gestos e ritos e da mensagem que nos trouxeram no início da celebração”. É que, disse, “nem só as palavras falam, os ritos e o gestos falam também, e aquilo que aqui se passou tornou a mensagem mais viva, mais comunicativa e mais participada, e isso é bom porque é a expressão de uma comunidade que é viva e que se alimenta realmente da palavra e que procura viver e testemunhar a fé, que se renova no dia a dia, mas também em momentos como este”.

Na homilia o prelado voltou novamente ao início da celebração, para dizer que tinha gostado de “ver os jovens abraçados, unidos”. Referindo-se ao símbolo do Espírito Santo – a pomba – que ficou sobre o altar, D. António disse que o mesmo “lembra a ação do Espírito Santo na vida da Igreja, desde o seu início e o continuar agora em missão através dos apóstolos”. Mas “é toda a Igreja que tem de sentir esta responsabilidade que, há pouco, ouvíamos na leitura do Evangelho”. Foi dada àqueles 12,  e através deles à Igreja toda “a missão de anunciar a Boa Nova do Evangelho de Jesus e de lutar contra toda a espécie de mal”, nomeadamente aquele que pode surgir no coração das pessoas.

Referindo-se ainda à palavra proclamada, em particular à segunda leitura, falou das duas forças antagónicas – o espírito e a carne. O espírito é a voz da consciência, “a voz de Deus em nós”, aquilo que “brota realmente do sentido de bem, que em nós se manifesta como fruto Espírito Santo”. Já a carne é “tudo o que sobrepõe à voz da consciência” e que por vezes “nos deixa a pensar que não temos capacidade de vencer e superar”. 

Depois de reconhecer que “há muito mal no mundo”, D. António frisou que esse mal “terá de ser vencido, superado e ultrapassado pelo esforço de cada um de nós, que assumimos a missão que Jesus Cristo deu à sua Igreja: a de anunciar”.

“Se acreditamos e temos uma fé que é viva, essa fé transmite-se, essa fé comunica-se”, disse o prelado, para logo sublinhar que foi esse o compromisso que os crismandos assumiram logo no início da celebração ao unir-se num abraço, frente ao altar sobre o qual estava o símbolo do Espírito Santo. E, “quem tem uma fé viva salta para a rua, como aqueles apóstolos que estavam naquela sala, no Dia de Pentecostes”.

D. António reconheceu ainda a “força de vontade e a perseverança” destes jovens, que frequentaram a catequese durante 10 anos, mas disse também que nunca é demais esse tempo, nomeadamente “para aprofundarmos o sentido da vida e da mensagem que nos pode ajudar a ver felizes nela”. Desejou, por isso, que “aquilo que fizeram e que hoje saboreiam pela alegria de ter chegado a este momento, seja alguma coisa que vos ajude e vos faça felizes pelos caminhos da vida”. Tanto mais que “o Crisma celebra-se hoje, mas é uma dádiva para a vida”, que tem de ser “alimentada pela Eucaristia”.

O prelado referiu-se ainda ao grupo de crianças da catequese e também ao grupo de catequistas, que no início da celebração se apresentaram diante do altar, enaltecendo estes últimos pela forma generosa e sem contrapartidas como dedicam parte das suas vidas “para ajudar as famílias da paróquia”, ainda que sejam estas, que também ali estiveram representadas, as primeiras responsáveis pela educação dos seus filhos e por estes encontrarem “caminhos de alegria, de paz e de felicidade”. 

Hoje, disse, “ainda há muitos jovens que não encontraram a oportunidade de adquirir para as suas vidas, certos valores que são fundamentais” e, talvez por isso, “há muitos enganos na vida” e “vive-se de uma maneira, mas a realidade tem de ser outra”. No fim, “fica o sentido da solidão, porque nos damos conta de que procuramos um caminho de paz, alegria e felicidade, onde efetivamente esses valores não se encontravam”.

Com os 16 jovens crismados, D. António dirigiu-se aos pais e particularmente aos padrinhos, lembrando que os mesmos têm a responsabilidade de continuar a ajudar os afilhados a cumprir com o compromisso assumido no Batismo e agora Confirmado, e sendo figuras presentes sempre que estes precisem.

A cada um dos crismados D. António Carrilho pediu ainda para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo. Pediu também para que se rezasse pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.

No final da Eucaristia o bispo do Funchal ofereceu a cada crismado, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Actos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser lido “por todos lá em casa”.