Cruz Peregrina dos Convívios Fraternos deixou a Diocese do Funchal rumo a Moçambique

A euraristia de despedida teve lugar domingo, dia 3 de Junho, na Igreja do Colégio, com o cónego Fiel a presidir à cerimónia.

Foto: Duarte Gomes

A Cruz Peregrina dos Convívios Fraternos, que esteve durante vários dias entre nós, despediu-se neste domingo, dia 3 de Junho, da Diocese do Funchal rumo a Moçambique.

Tal como aconteceu à chegada, também no momento da partida os convivas, e todos aqueles que a eles se quiseram juntar, participaram numa Eucaristia, que teve lugar na Igreja do Colégio.

Na oportunidade o cónego Fiel de Sousa, que presidiu à celebração, aludiu ao facto dos Convívio Fraternos serem um movimento jovem e também à necessidade de se dinamizar ações que chamem os jovens e que estes “compreendam verdadeiramente o evangelho e não o vejam como uma coisa maçuda e enfadonha, mas como um atitude de libertação, uma atitude de alegria e uma caminhada que todos nós precisamos”.

Referindo-se à Cruz Peregrina, o vigário geral da Diocese chamou a atenção dos fiéis, para o facto desta ser uma Cruz diferente, encimada por uma chama. Uma alusão à chama da fé que é preciso manter sempre acesa, até dentro do próprio movimento. 

Naturalmente que “há sempre dificuldades”, mas é preciso tentar superá-las. E para isso, reconheceu sem medo de “tocar na ferida”, também “é preciso que nós sacerdotes estejamos disponíveis para um maior acompanhamento, para que o movimento possa depois avançar”.  Até porque, frisou, “os jovens não estão longe da Igreja, precisam é de um empurrãzinho”. E se há 50 anos o Movimento dos Convívio Fraternos “nasceu da Inquietação dos Jovens, hoje os jovens ainda estão mais inquietos”.

Normalmente, o jovens deixam-se cativar “por uns dias fora de casa” e essa pode ser uma forma de os cativar, mas com a contrapartida de, nesses dias, eles assumirem outros compromissos para além do divertimento e do descanso. É verdade que, conforme ouvimos nas leituras, “o Senhor quer que o homem descanse”. Só que o descanso, nomeadamente ao domingo, “é um descanso que só é verdadeiro, quando ligado à oração e à reflexão”, porque, “é preciso algo que faça o “click”. Na verdade, e ao contrário do que os jovens muitas vezes acham, “esses são dias com pais, porque não podemos ficar sem pais, só que esses pais são Jesus e Maria”.

Lembrando os muitos Crismas que têm sido realizados nos últimos dias, o cónego Fiel de Sousa disse acreditar que do percurso até se receber esse sacramento, fica “uma sementinha”. Contudo, não é algo para ser desenvolvido “daqui a 50 anos”. É preciso que não se perca o elo e que “essas sementinhas comecem já a dar fruto”. Para isso, sublinhou, “nós leigos e sacerdotes temos de dar o exemplo. Nós estamos na linha da frente e eles têm os olhos postos em nós, para dizer: vocês têm de ser os primeiros”. 

Além disso, os jovens vivem um tempo de incerteza quanto ao futuro e isso “leva a que se afastem”. Temos de ser nós a fazê-los perceber que “estamos ao lado deles, para que tenham um futuro novo”.

Mas tudo isto tem de ser feito sem querer passar a ideia de que “os cristãos, os sacerdotes, os pais são super-homens quando na verdade somos todos  frágeis”, ainda que “Deus tenha colocado nas nossas mãos vasos de barro com o tesouro do nosso mistério”. Os jovens precisam que reconheçamos essa fragilidade e até a tendência que temos para “em primeiro lugar olhar para o defeito do outro, em vez de ver as qualidades.” Olhamos mais para uma fragilidade física do que para um coração bondoso. Alguém que faz o bem em qualquer dia, e a qualquer hora, e não quando a lei diz que tal é permitido.

É preciso também que a Eucaristia Dominical passe a fazer parte da vida dos jovens e que isso não seja motivo de veronha, mas de alegria: “Não tenham medo, nem vergonha, de dar testemunho da Eucarisstia Dominical. De chegar na segunda-feira ao trabalho ou à escola de dizer que foram à missa. Se assim não for, é porque ainda falta muito…”. 

Numa Eucaristia concelebrada pelo Pe. Carlos Almada, responsável pela pastoral Juvenil na Diocese, o vigário geral quis terminar deixando um  um desafio: “Que a Eucaristia das 17:30 horas, no Colégio passe a ser a Eucaristia dos Jovens”. 

Terminada a missa a Cruz Peregrina dos Convívios Fraternos foi levada até à entrada da Igreja do Colégio, onde se rezou a oração A Fonte da Cruz.