Bispo do Funchal desafiou crismados da Nazaré a viver todos os dias com espírito de serviço e de caridade

Ao todo foram 72 os jovens e adultos que D. António Carrilho confirmou na fé.

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal deslocou-se este sábado, dia 2 de Junho, à Paróquia da Nazaré, onde administrou o Sacramento da Confirmação a 72 jovens e adultos.

Logo no início da cerimónia coube ao pároco, neste caso ao Pe. Pedro Nóbrega, agradecer a presença do bispo diocesano e dizer-lhe que o grupo estava apto a receber este sacramento. A maioria fez o percurso normal de preparação, outros a preparação para adultos com as irmãs da Verbum Dei, mas o importante é que todos estavam preparados para “viver com Cristo em minha vida, em minha ação, em meu coração. Quero ser provocador de esperança”.

D. António Carrilho agradeceu as palavras de boas vindas e a apresentação do grupo que, disse, ao pôr-se de pé diante da comunidade, confirmou as palavras do Pe. Pedro, dizendo que “nós estamos aqui, que a comunidade conte ainda mais connosco”. O percurso feito até àquele momento, lembrou D. António Carrilho, foi de “numa linha de formação e de catequese, de encontro e convivência da fé”. Mas, a partir do momento da Confirmação “cada um deve tornar-se discípulo missionário, cada vez mais apóstolo, cada vez mais integrado na própria comunidade”.

Referindo-se à palavra proclamada em particular à primeira leitura, escolhida de propósito para o momento, disse que “quisemos lembrar, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, reunidos em oração lá numa sala, assim a olhar para o mundo à sua volta e para a multidão que se reunira para a festa da lei e das novas colheitas e a lembrar-se das palavras: ide e anunciai o Evangelho, a toda a criatura”. Eles sentiam que “tinham essa responsabilidade e esta obrigação: ir ao encontro de todos, falar Jesus, dos ensinamentos Dele, propor a mensagem de Jesus, como caminho de vida como caminho de esperança, como caminho de felicidade”.

É essa mesma responsabilidade que passam a ter os jovens que são crismados. Pelo batismo todos eles entraram na Igreja. Mas fizeram-no em pequenos, levados pelos pais e pelos padrinhos. Agora, são os próprios que confirmam essa vontade de, “sem medo e sem vergonha”, acolherem o Espírito Santo e renovarem a terra.

“Todos temos responsabilidades nas nossas famílias, nos nossos grupos, na sociedade. Responsabilidade de modificar alguma coisa à nossa volta, apontando caminhos de compromisso com o bem”, frisou o prelado. E, acrescentou, “há muita coisa para fazer de bom” e nós, disse, “somos convidados a entrar nesse caminho e a fazer cada um o que poder fazer e as coisas vão-se modificando e transformando”. É isso que é “viver como bons cristãos” e é isso que o prelado disse esperar de todos aqueles que iria crismar.

E tudo isto apesar de São Paulo, na segunda leitura, dizer que “há muitas dificuldades quando se quer fazer o bem”. Porém, “não nos podemos sentir abatidos por causa disso”. Na verdade, como dizia muitas vezes aos jovens São João Paulo II, “é preciso ir contra a corrente”. Mas se nós fazemos a descoberta de Jesus, se nós temos um ideal no nosso coração e o queremos transmitir, dizia, temos de ser fiéis e seguir em frente.

O que é importante, sublinhou D. António “é esta descoberta de Jesus” e esta consciência de que “temos de fazer o bem”. E o bem pode e deve ser feito em qualquer dia, mesmo ao sábado, como se viu no Evangelho, um dia que era de descanso para os judeus. “Acima de tudo está o espírito de serviço e de caridade”, sublinhou D. António, que mostrou a sua esperança de que os jovens possam e sigam essa máxima de vida.

Já com os 72 jovens e adultos crismados, D. António dirigiu-se aos pais e particularmente aos padrinhos, lembrando que os mesmos têm a responsabilidade de continuar a ajudar os afilhados a cumprir com o compromisso assumido no batismo e confirmado no crisma, já que “a festa do crisma é hoje, mas não é para hoje. É para a vida”.

A cada um dos crismados D. António Carrilho pediu ainda para que rezassem todos os dias um bocadinho e para que não deixassem de ir à Missa do domingo. Pediu também para que se rezasse pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.

No final da Eucaristia o bispo do Funchal ofereceu a cada crismado, em nome da Diocese, o livro dos “Evangelhos e Actos dos Apóstolos” que disse, “não é para ficar na gaveta”, mas para ser lido “por todos lá em casa”.