Culto Eucarístico não se confina à participação na Eucaristia, mas passa também por não esquecer os mais frágeis 

Foto: Duarte Gomes

A Sé do Funchal foi pequena para acolher todos aqueles que esta quinta-feira, dia 31 de maio, quiseram participar na solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus. Na falta de espaço no interior do templo, muitos fiéis “arrumaram-se” ao redor da Catedral do Funchal. 

A Eucaristia, presidida por D. António Carrilho e concelebrada pelo bispo Emérito D. Teodoro de Faria e pelos cónegos e sacerdotes da  Diocese, estava agendada para as 18 horas. Mas muito antes disso, por várias ruas da cidade, já andavam centenas de elementos vindos de diversas paróquias da Madeira e Porto Santo, que elaboraram tapetes de flores, que se uniram num só, e por onde mais tarde passaria o bispo Diocesano com a sagrada custódia, que durante toda a tarde estivera em adoração na Igreja do Colégio.

Culto Eucarístico abraça toda a vida

D. António Carrilho aproveitou a celebração, em que participaram  autoridades civis, militares, as Confrarias dos Irmãos e Irmãs do Santíssimo Sacramento, as saloias das visitas do Espírito Santo, as crianças da Primeira Comunhão, os agrupamentos de Escuteiros, para salientar que “o culto eucarístico não se confina apenas à participação na Eucaristia e na adoração, mas abraça toda a vida do homem e da mulher e penetra todo o tecido social”. 

Ainda assim, citou o Papa Francisco quando este refere que: “Participar na missa, em particular aos domingos, significa entrarmos na vitória do Ressuscitado, sermos iluminados pela sua luz, abraçados pelo seu calor. Através da celebração eucarística o Espírito Santo torna-nos participantes da vida divina que é capaz de transfigurar todo o nosso ser mortal”.

Neste contexto, o prelado sublinhou que “acolher, comungar, celebrar e adorar são momentos essenciais no dinamismo da espiritualidade eucarística”, mas também “comprometem toda a vida pessoal, familiar e social, em ordem à construção da paz, da comunhão fraterna, da defesa da criação e da unidade com Cristo”.

“Ao comungar o Pão da Vida, recebemos a luz e a força para caminhar na esperança e na alegria”, explicou D. António, que exortou os fieis presentes, e aqueles que acompanharam a missa através da rádio, para que não se esqueçam “dos doentes, carne de Cristo sofredor, nas suas casas ou nos hospitais, os pobres, os que precisam de uma presença amiga ou uma palavra de conforto, os presos, as famílias com maiores problemas, os idosos, os jovens e as crianças. Cristo a todos atrai e abraça no seu amor, especialmente os mais frágeis”.

Verdadeira manifestação de fé 

Depois de lembrar que a Madeira e o Porto Santo são conhecidas como as Ilhas do Santíssimo Sacramento, o bispo diocesano referiu que “ao fazermos memória dos 600 anos da descoberta do Porto Santo e da Madeira, comprovamos com alegria a devoção eucarística dos nossos antepassados”.

Na sua homilia o prelado fez ainda questão de deixar uma referência precisamente aos “lindos e artísticos tapetes de flores, preparados com alegria e, por vezes, com muito sacrifício”, mas que “exprimem muito o sentimento religioso e a fé viva do nosso povo”. 

A Eucaristia seguiu depois o seu curso normal, compreendendo uma breve adoração do Santíssimo Sacramento, antes deste deixar a Sé para percorrer, como já se disse, várias ruas da baixa e regressar ao adro da catedral.

Antes da bênção final, D. António voltou ainda a dirigir algumas palavras aos fiéis que o acompanharam ou que aguardaram pela sua chegada. “Percorremos ruas da nossa cidade e creio que falou bem alto o silêncio, o respeito, os joelhos que se dobraram, os passos de uma multidão que caminhou, tantos corações que falaram, cada um na intimidade da sua relação com Cristo que passa, com Cristo que olha, com Cristo que salva”, disse o prelado, que considerou esta uma verdadeira “manifestação de fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia”, por vários motivos, mas também e sobretudo pelo grande número de fiéis que voltou a congregar.