Fake news, seus disfarces. Que fazer?

D.R.

Por P. Aires Gameiro

O tema do 52º dia das comunicações sociais sensibiliza para o fenómeno das fake news ou notícias fabricadas. Estas notícias falsas são de todos os tempos. São mentiras, são intencionais e destinam-se a desinformar, a prejudicar e a tirar proveitos. Hoje tomam um sentido alargado por circularem nos meios de comunicação social e envolverem os seus profissionais. Opõem-se à transparência, à responsabilidade e à verdade.

O fenómeno das fake news tornou-se epidemia avassaladora, fenómeno de erosão e corrupção. No sentido geral podem tomar formas de ocultação ideológica, deformação de dados, manipulação de pessoas, propaganda política, defesa de interesses disfarçados.

Os diversos tipos de falsificação de conteúdos denotam culturas em que as qualidades morais de honestidade se degradam. Nelas diminui a responsabilidade, aumenta a tolerância à mentira, a verdade deixa de ser valor chave da vida individual e social.

Por trás das notícias falsas a intenção e os objetivos dos que as fabricam constituem fatores decisivos da sua fabricação que estão na base de motivações para a sua divulgação.

Os fatores mais frequentes são os políticos e os antirreligiosos. Neles se misturam ideologias de poder e domínio económico e dos acontecimentos. Nos conflitos e lutas políticas, religiosas, comerciais abundam as desinformações, a ocultação de factos, a fabricação e falsificação de conteúdos.

Considerando a centralidade do cristianismo na história; e mais ainda, a do catolicismo, são estes também os polos que mais são alvejados por ideologias políticas hostis com desinformação, ocultação e fabricação de notícias falsas.

As fake news contra o cristianismo tiveram um exemplo significativo com o boato e compra dos guardas para difundirem a mentira de que o corpo de Cristo tinha sido roubado do sepulcro pelos discípulos. E isto para não falar da fala enganosa da serpente a Eva no Génesis.

As lutas contra o catolicismo e a Igreja Católica nos últimos três séculos estão semeadas de fake news e desinformações em que a Igreja tem sido denegrida nas suas caraterísticas mais nobres herdadas de Cristo: verdade da sua doutrina, bondade da sua ação a favor da vida humana e dos mais pobres e necessitados; e a beleza na construção do seu património de milhões de obras de arte.

Os autores aconselham várias técnicas para filtrar as fake news, estudar as fontes, aprofundar os dados recebidos, fazer perguntas sobre o autor e os seus interesses e ideologias, a sua etnia, partido político, grupo religioso; verificar as notícias paralelas, estudar as coincidências de datas.

Por vezes, convém suspeitar se há uma intenção de ironia, sarcasmo ideológico, agnosticismo extremista, ateísmo militante hostil. As suspeitas mais problemáticas surgem agora em relação às redes sociais e às personalidades perturbadas, vulgo, psicopatas, insensíveis ao bem comum.

Quando é que na origem da notícia falsa está um tal fabricante e quando é que ele já pôs em circulação mais meia dúzia de outras? Parece que o essencial para escapar aos enganos está que disse “eu sou a verdade”. Sem um apoio de confiança a epidemia da mentira alastra e o homem não se torna livre; só a verdade liberta. A mentira escraviza. Pode é demorar muito e já ser tarde para evitar alguns estragos. Também se pode perguntar se a palavra de Cristo se pode aplicar às fake news, segredadas a milhares de ouvidos, e que serão proclamadas sobre os telhados na sua realidade de mentiras ou de verdades? Já será o julgamento final?

Parece que cada vez mais se precisam de investigadores e especialistas, a toda a prova de competência, responsabilidade e credibilidade, que ajudem a desmascarar tantas fake news que apesar de tudo vão circulando.

Termino com um desejo. Não sendo possível eliminar da circulação todas as notícias falsas, todos são convidados a pôr em circulação notícias de factos reais, que respeitam a verdade, o bem comum, a partilha dos recursos do país sem excluir os mais necessitados.

A alguns fabricantes de notícias falsas não falta aversão às verdadeiras e aos bons conteúdos de paz e amor. Bom será cantar as maravilhas dos que andam por todo o mundo anunciar as “boas notícias” de Jesus Cristo da partilha de pão com amor aos mais pobres.