Jovens e sinais de trânsito do sentido da vida

D.R.

Por Aires Gameiro

Acompanhamento e discernimento vocacional fazem parte do tema da semana das vocações, isto é, dos caminhos da vida.

Esclarecer-se, discernir, distinguir o que mais convém e mais pode concorrer para a vida em harmonia, em contentamento, torna-se difícil mas fundamental para os jovens, os adultos e os idosos.

Goethe terá dito que há pessoas que nunca se enganam no caminho porque nunca começaram a caminhar. A vida tem sentido e todos são desafiados a descobrir donde se vem, para onde se vai, para que serve e que serviço prestar na vida enquanto se caminha.

Quanto aos jovens, os pais nem sempre ajudam nesta descoberta por também eles se encontrarem perdidos em matagal de contradições. Os companheiros de escola estão igualmente na fase de procura e alguns desencaminham os iguais. Alguns professores poderão ajudar, outros nem por isso.

Do lado da Igreja também os jovens recebem sinais confusos por circularem mais às sombras da Igreja do que às suas luzes. O que há de bom é silenciado e ocultado. Os catecismos até são apontados como leituras a evitar.

No século XIX, com o anticlericalismo estremo, a doutrina da Igreja foi contrastada com as leituras de Renan, Voltaire e outros racionalistas ateus; em Portugal com romancistas anticlericais.

Já no século XX, Marcuse, Sartre, e mais recentemente Dan Brown e Saramago, entre outros, são muitas vezes os novos “catecismos” dos jovens e adultos que ainda leem. Para muitos, esses são autores mais dignos de fé. A crença nestes autores é dogma. Outros são catequisados pelas redes sociais labirínticas. Contudo não faltam Chesterton, Narciso Yepes, Edith Stein e tantos outros para dizer que não há guia com 2000 anos como a Igreja católica que tem colocado sinais de trânsito acertados em todos os caminhos da vida.

Os últimos papas, entre os quais João Paulo II e Francisco, não se cansam de apontar Jesus como guia e caminho, e desfiar os jovens a falar-lhe, diretamente; e, à falta de acompanhantes de confiança, a pedir orientação.

O jovem que ousa falar com Jesus Cristo no seu coração e a pedir luz, vai ter maior contentamento. E o jovem que não tem medo de dizer: Jesus, podes contar comigo, diz ao meu coração o que queres de mim. Terá surpresas felizes.

Contudo, muitos jovens, no meio das florestas de relativismo e mil “verdades” e solicitações, não conseguem sair das encruzilhadas com facilidade e avançar pela estrada de Jesus. Perdem-se, mas desejam acertar.

A perplexidade dos jovens é mais que compreensível. O mundo está baralhado, e eles também gostam de confusão e riscos. Avançam nos estudos e nas universidades, ouvem centenas de sereias a aliciar. Podem ser assaltados por dúvidas, hesitações, vergonha, cobardia, medo de arriscar; ou, simplesmente, deixar-se arrastar por pressões e desvios do-tanto-faz.

Terão os perdidos a bênção de encontrar alguém a mostrar o caminho, alguém a caminhar ao seu lado na vida a irradiar contentamento e esperança à sua volta? Alguém que não tenha vergonha de ser e dizer que é católico e que já andou perdido? Será quase sempre alguém que veio ao de cimo das águas em riscos de naufrágio. Nem faltam jovens desencaminhados por outros na indiferença, agnosticismo e hostilidade a Cristo e à sua Igreja, que reencontram o caminho do sentido da vida.

O que mais pode animar alguns a discernir um caminho pode ser o testemunho de um ou mais colegas que declara com simplicidade que já passou por essas perplexidades e se entregou a Jesus. E a esperança pode vir de algum que se comprometeu com Cristo e sabe para onde vai. É sempre possível que os jovens, por entre dúvidas, tentações, vozes de vendedores de banha da cobra, se reencontrem com Jesus. Pode levar anos, mas é possível. E não poucos ajudados por milhares de ateus, agnósticos, “satânicos” que se convertem a Cristo e à Igreja católica e escrevem como regressaram. Infelizmente, o secularismo extremista pressiona os meios de divulgação a ignorar e ocultar esses convertidos e as suas histórias; são um perigo para as ideologias de serviço.

Funchal, dia do Bom Pastor, 2018