Padre em Damasco: “Rezar pela paz agora mais que nunca”

O franciscano Padre Karakach, superior do convento da Conversão de São Paolo em Damasco, fala à Agência SIR sobre o ataque na Síria

Frei Elia Karakach | Santuário da Conversão de São Paulo em Damasco | Foto: SIR

Agência SIR

Fomos acordados às 4 da manhã pelo assobio dos mísseis e percebemos que os ataques estavam em curso. Foram ouvidas explosões nos arredores de Damasco. Aqui no centro por enquanto tudo está calmo, mas as pessoas estão preocupadas com o futuro. A população quer viver em paz e não sob o pesadelo das bombas“.

Assim o padre Bahjat Elia Karakach, franciscano da Custódia da Terra Santa, superior do convento dedicado à conversão de São Paulo, a principal paróquia de rito latino da capital, em Damasco, fala à SIR do ataque conjunto pelos Estados Unidos, Inglaterra e França lançado na noite contra três alvos em Damasco e Homs. Tratava-se de um centro de pesquisa na capital síria, de uma instalação de armazenamento de armas químicas e uma estrutura que contém as armas químicas e equipamentos, todos a oeste de Homs.

A resposta militar de Trump à alegada utilização de armas químicas contra a cidade síria de Douma, que os EUA atribuíram ao regime de Bashar al Assad, não tardou em chegar.

“Sabíamos que havia a intenção de bombardear por parte dos EUA depois do alegado ataque químico na Ghouta Oriental, mas a esperança foi colocada numa investigação objectiva sobre o uso de armas químicas e que, portanto, não haveria lançamentos de mísseis“, declara o frade que espera que “não se repita o que já aconteceu no Iraque que foi invadido em 2003 (por uma coligação formada maioritariamente pelos EUA e Reino Unido, e com contingentes menores de outros estados, ndt) porque o regime de Saddam Hussein foi acusado de possuir armas de destruição em massa. Armas que nunca foram encontradas. A vontade é de destruir a Síria. O projeto continua com essas bombas. Só nos resta rezar pela paz, agora mais que nunca “.