“As Conferências do Museu” abordam “Questões de Arte Sacra” na perspetiva de uma “nova luz crítica e esclarecedora”

Este sábado, pelas 11:45 horas, será divulgada uma mensagem de Guilherme d’Oliveira Martins, Coordenador Nacional Ano Europeu do Património Cultural.

Foto: Arquivo MASF

Mesmo sem a presença de um dos conferêncistas mais aguardados, o Pe. Tolentino Mendonça, teve início, na manhã desta sexta-feira, a segunda edição de “As Conferências do Museu”, no Museu de Arte Sacra do Funchal (MASF).

No geral, e apesar dos constrangimetos causados pelo mau tempo e pelo cancelamento de voos, que acabaram por impedir a vinda de alguns conferencistas, o programa do evento manteve-se.

Na sessão de abertura o director da instituição salientou a pertinência da temática escolhida, ‘Questões de Arte Sacra’, frisando que “a proposta de um tema como este, para dois dias de discussão e partilha de conhecimentos num local como o MASF, é tudo menos redundante e, na verdade, está longe de ser ‘inocente’.”

“Embora fosse possível, não nos interessava explicitar um suposto lado provocatório do tema, fazendo as derivas possíveis para a controvérsia. Pelo contrário: em vez de derivar, procurámos concentrar o olhar e a análise naquilo que nos identifica enquanto instituição museológica, uma espécie de ‘mergulho em profundidade’, que quer saber mais sobre o assunto e levar mais longe as implicações de um conhecimento que se quer claro e honesto.”, referiu João Henrique Silva.

A este propósito, o diretor do MASF disse mesmo que “face às incompreensões suscitadas ou por uma certa mentalidade dogmática, devedora de revoluções passadas ou, mais modernamente, pelo olhar mercantil que permeia boa parte da cultura dominante, entendemos que o tema da “arte Sacra” deveria ser trazido para uma nova luz crítica e esclarecedora”.

João Henrique Silva lembrou ainda que “não é por acaso nem sem propósito que as Confrências do Museu 2018 apresentam o tema “arte Sacra” no Ano Europeu do Património Cultural”. Na verdade, “a celebração desta efeméride com um programa nacional, vem garantir um acréscimo de visibilidade ao património Cultural Religioso e mostrar o modo empenhado e profissional como a Igreja vem gerindo o legado patrimonial e artístico, contribuíndo para a preservação de uma memória que é de todos e para reforçar o sentido de pertença a um espaço cultural comum”.

As conferências desta sexta

“A construção do espaço sagrado” serviu de mote para o primeiro painel das conferências, moderado pelo arquiteto madeirense Duarte Caldeira, tendo a primeira preleção ficado a cargo de Bernardo Pizarro Miranda, arquiteto, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa.

Partindo da interrogação ‘Existe uma arquitetura religiosa?’, o investigador fez uma abordagem à história da arquitetura religiosa cristã dos séculos XIX e XX.

Seguiu-se a intervenção de João Alves da Cunha, do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, que se inclinou sobre a ‘Arquitetura religiosa em Portugal – séculos XX e XXI’, “uma época construtiva sem paralelo na história da arquitetura religiosa portuguesa.”

O padre João Norton de Matos, do Centre Sèvres – Faculté Jésuite de Paris, proferiu, por seu turno, uma alocução sobre “Arte e arquitetura na mediação do sagrado”, lançando o olhar sobre os lugares da representação e do estudo da arte sacra na ilha da Madeira entre os séculos XX e XXI.

“Arte litúrgica com amor: criações das novas capelas de Braga” foi o tema que se seguiu, abordado por Joaquim Félix, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, tendo a sua intervenção encerrado o primeiro painel.

Os trabalhos prosseguiram no período da tarde, entre as 15 horas e as 18:15 horas com a realização do Painel 2 – Questões de Arte Sacra: Expressões do Património Cultural Religioso, cujo moderador foi Duarte Nuno Chaves, da Universidade dos Açores.

Foram abordados temas como “Arte sacra, culto, cultura e património” – Nuno Saldanha (IADE – Universidade Europeia); “A arte sacra: Museus e exposições numa sociedade secularizada’ – Maria Isabel Roque Universidade Europeia; “Gestão e missão dos bens culturais da Igreja”- Sandra Costa Saldanha (Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja); “Museu Diocesano de Santarém: A face visível de um alargado projeto de salvaguarda e valorização do património cultural da Diocese” – Joaquim Ganhão (Museu Diocesano de Santarém); “A tradição das ‘saloias’ nas visitas das insígnias do Espírito Santo na Região Autónoma da Madeira: Musealizar um património imaterial?” – Helena Rebelo (Centro de Línguas, Literaturas e Culturas, Universidade de Aveiro | Centro de Estudos Regionais e Locais, Universidade da Madeira)

Mensagem do Coordenador Nacional Ano Europeu

Este sábado os trabalhos são retomados a partir das 10 horas, com a projeção do documentário: Sagrado de Nuno Grande, 2014, 26´25 | Apresentação do produtor, Luís Urbano (Faculdade de Arquitetura, Universidade do Porto, Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo).

Pelas 11:30 horas será divulgada a mensagem do Ano europeu do património cultural pelo Dr. Guilherme d’Oliveira Martins (Coordenador Nacional Ano Europeu do Património Cultural).

A sessão de encerramento desta segunda edição de “As Conferências do Museu”, a cargo de João Henrique Silva, está agendada para as 11:45 horas.

Entretanto, para o dia 4 de abril, pelas 18 horas, ficou agendada a conferência de José Tolentino Mendonça: “Arte, mediação e símbolo: O sentido que vem”.