Papa celebra Missa para mais de meio milhão

O Papa esteve na segunda maior cidade do Peru, Trujillo, na costa do Pacífico, para celebrar uma Missa perante uma multidão estimada em cerca de 500 mil pessoas.

© Vaticano

Francisco foi recebido com danças típicas no Aeroporto de Trujillo, após um voo de 500 quilómetros desde Lima, seguindo depois para o passeio de Huanchaco, onde preside à Eucaristia ao ar livre.

O percurso foi acompanhado por milhares de pessoas, nesta única passagem do Papa pelo norte do Peru, já depois de o pontífice ter saudado centenas de fiéis à porta da Nunciatura Apostólica em Lima, com quem rezou uma Ave-Maria.

O Papa Francisco levou uma palavra de conforto às populações afetadas por ‘El Niño Costeiro’ um fenómeno de aquecimento anormal da água do oceano Pacífico entre costa do Equador e a costa norte do Peru, que provocou chuvas fortes, inundações e deslizamento de terras. Mais de 70 pessoas morreram em 2017, por causa deste fenómeno, que deixou mais de 72 mil pessoas sem casa e provocou um cenário de destruição.

“Coube-vos enfrentar a dura estocada do ‘Niño costeiro’, cujas dolorosas consequências ainda se fazem sentir em tantas famílias, especialmente naquelas que ainda não puderam reconstruir as suas casas. Foi por isso também que quis vir e rezar aqui convosco”, disse na homilia da Missa a que presidiu para cerca de meio milhão de pessoas no passeio de Huanchaco, junto ao Pacífico.

O Papa evocou este momento “tão difícil” para tantos habitantes e locais e disse aos presentes que Jesus quer estar perto de “cada situação dolorosa”. “Ele entrou na nossa história, quis partilhar o nosso caminho e tocar as nossas feridas. Não temos um Deus alheio àquilo que sentimos e sofremos; pelo contrário, no meio da dor, dá-nos a sua mão”, acrescentou.

O pontífice saudou os gestos de solidariedade e generosidade que se seguiram à tragédia, considerando que a alma duma comunidade se mede pela forma como “consegue unir-se para enfrentar os momentos difíceis, de adversidade, para manter viva a esperança”.

“A fé abre-nos para termos um amor concreto, feito de obras, de mãos estendidas, de compaixão; um amor que sabe construir e reconstruir a esperança, quando tudo parece perdido”, frisou.

Junto ao mar, Francisco quis falar de outras tempestades que “açoitam” as costas peruanas, como os homicídios, a criminalidade organizada, a ausência de habitação segura ou a falta de oportunidades educativas e laborais, especialmente para os mais jovens.

“Quero dizer-vos que não existe solução melhor que a do Evangelho: chama-se Jesus Cristo. Enchei sempre a vossa vida de Evangelho. Quero exortar-vos a ser uma comunidade que se deixa ungir pelo seu Senhor com o azeite do Espírito”, apelou.

O Papa saudou ainda os pescadores dos “cavalinhos de totora”, as pequenas embarcações construídas com uma planta chamada totora, com que as populações locais desafiam as ondas. “Com Jesus, a alma deste povo de Trujillo poderá continuar a chamar-se ‘a cidade da eterna primavera’, porque, com Ele, tudo se torna ocasião de esperança”, disse Francisco.

A intervenção terminou com uma oração a Nossa Senhora, repetida pela multidão: ‘Virgenzinha da porta, dá-me a tua bênção. Virgenzinha da porta, dá-nos paz e muito amor’.

Na celebração foram apresentadas 40 imagens devocionais das comunidades católicas do norte do Peru, que o Papa saudou uma a uma, sob os aplausos da multidão.