Vamos Cantar os Reis de 5 para 6…

O Dia de Reis ou da Epifania, como também é conhecido liturgicamente, está relacionado com a visita dos Reis ao Menino Jesus. Os magos demoraram cerca de doze dias para chegar ao seu destino. Por essa razão, a Epifania celebra-se dois domingos após o Natal.

© Duarte Gomes

A tradição de Cantar os Reis, de 5 para 6 de janeiro na Madeira, perde-se no tempo. Anos houve em que o costume parecia querer esfumar-se. No entanto, existiram sempre aqui e ali grupos de pessoas de várias idades, que insistiam em trajar a rigor, juntando-se e indo pelas portas cantando, acompanhadas por instrumentos tradicionais como o reco–reco, os ferrinhos, o bombo, o acordeão, sem esquecer os cordofones madeirenses, nomeadamente a viola de arame, o rajão e a braguinha.

Depois de cantarem, os donos da casa convidavam os “reis” e demais comitiva para entrar em casa e presenteavam os visitantes com a gastronomia típica do Natal, nomeadamente com bolo de mel, pão caseiro com carne de vinho e alhos, doces diversos e licores de vários sabores. Nalgumas zonas, também se oferecia canja, especialmente se a noite já ia longa.

Já em certas regiões do Continente, de onde se julga que esta tradição foi trazida, por alturas da colonização, as pessoas têm por hábito oferecer iguarias da época, mas também o azeite novo, para alimentar as candeias da igreja ou da capela da terra, em homenagem às almas dos familiares que já morreram.

Bolo-rei presente

Na mesa, também não podia faltar o bolo-rei. De forma redonda, com um buraco no centro, é feito de uma massa branca e fofa misturada com passas, frutos secos e frutas cristalizadas. Antigamente, no interior do bolo encontravam-se também uma fava seca e um pequeno brinde, normalmente feito de metal. A fava dava a quem a recebesse numa fatia
o direito de pagar o próximo bolo-rei, e o brinde dava sorte a quem o encontrasse. Consta que havia ainda quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas, cuja recompensa seria meia libra de ouro, ou mesmo as próprias moedas de ouro, como forma de presentear a quem se oferecia o bolo. Por alegadas razões de segurança, de há uns anos a esta parte que fava e brinde deixaram de ser incluídas.

De resto, tudo o mais mantém-se nos dias de hoje, sendo que a tradição ganhou contornos mais públicos, com as câmaras, juntas, paróquias e outras entidades a promoverem cantares, que juntam a população, normalmente à volta de um palco e de um bolo-rei gigante. De Machico ao Funchal e do Curral das Freiras à Ponta do Sol, o que não faltam são propostas para que reúna a família e os amigos e vá festejar.

Manifestação de Deus aos homens

O Dia de Reis ou da Epifania está diretamente relacionado com uma manifestação divina. Um exemplo narrado na Bíblia mostra o episódio em que houve a apresentação de Jesus Cristo ao mundo, através da chegada dos Reis Magos, trazendo os seus presentes.

Os três magos foram guiados por uma estrela a Belém, onde se
encontrava Maria com o seu filho Jesus, recém-nascido. O caminho percorrido foi longo. Os magos demoraram cerca de doze dias para chegar ao seu destino. Por essa razão, a Epifania celebra-se no domingo entre o dia 2 e o dia 8 de janeiro (dois domingos após o Natal), o que quer dizer que este ano terá lugar no dia 7.

Recorde-se que Gaspar partiu da Ásia, levando incenso para proteger o Messias. Como fonte de fé e espiritualidade, este objeto tinha como finalidade espantar insetos com o aroma espalhado pelo ar. Da Europa, chegou Belchior. Como presente levou ouro, presente este, que apenas era oferecido a Deuses. Ofereceu-O a Jesus como símbolo de riqueza e realeza.

Baltazar levou mirra, de África, que era a lembrança oferecida aos profetas. É um óleo ou resina extraído de uma planta.
Etimologicamente, o termo Epifania tem origem na palavra grega epiphanéia, podendo ser traduzida literalmente como “manifestação” ou “aparição”.