Bispo lembrou momentos mais marcantes do Ano Pastoral, sem esquecer os 500 anos da Dedicação da Sé e a queda da árvore no Monte

“O bispo está convosco, o bispo conta convosco” disse na oportunidade D. António Carrilho, que agradeceu a todos pela colaboração que prestam, cada qual na sua área de ação, “participando, em corresponsabilidade, na missão comum da Igreja”.

© Duarte Gomes

Realizou-se esta quinta feira, dia 28 de dezembro, nas instalações da Cúria Diocesana, a tradicional apresentação de cumprimentos de Natal ao bispo do Funchal, numa iniciativa em que marcaram presença sacerdotes, membros de institutos religiosos de vida consagrada e leigos.

Na oportunidade, o bispo do Funchal aproveitou para agradecer a colaboração de todos, cada um na sua área de ação, mas “participando, em corresponsabilidade, na missão comum da Igreja”. Agradeceu, em particular, “pelo tanto que fazem nas respetivas tarefas diárias, porque festa é festa, mas o dia a dia é o dia a dia, e é aí que a nossa vida se gasta e se desgasta”.

D. António fez também questão de lembrar alguns dos principais acontecimentos do Ano Pastoral. “Não é um balanço”, disse, “mas uma recordação, como memória agradecida do que foi dom ao longo deste ano e que não queremos esquecer”. Assim, falou nomeadamente do Centenário das Aparições de Fátima, da visita do Papa Francisco e da Canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

Lembrou ainda a visita à ilha da imagem da Virgem Peregrina, como preparação precisamente para as comemorações do centenário; e das comemorações, a 18 de outubro, dos 500 anos da Dedicação da Sé do Funchal, que envolveram várias iniciativas e chamaram a atenção para a importância da Catedral, como “igreja mãe da Diocese”, como “fator de convergência e elemento e fator de Comunhão”.

Neste “desfiar” de memórias, o prelado recordou também o trágico acontecimento de agosto passado, no Monte, que vitimou 13 pessoas e “levou o sofrimento e a tristeza a toda a Diocese”. A este respeito, D. António fez questão de voltar a “expressar a nossa profunda solidariedade e comunhão com todos”, em especial “os familiares e amigos dessas mesmas vítimas”.

Nos mesmos sentimentos e solidariedade fez questão de envolver “todos os nossos irmãos que foram vítimas dos incêndios em terras do Continente”, porque também “muitas vezes eles se associaram a nós e expressaram a sua solidariedade, agora somos nós também que nos associamos a eles. Rezamospelos mortos e partilhamos a dor e a tristeza das populações atingidas”.


“Sementes Cristãs”
lançadas

Obedecendo a um programa previamente estabelecido, em que não faltaram os cânticos alusivos à quadra, entoados por alguns elementos do “Funchal 24”, o primeiro a usar da palavra foi o vigário geral da Diocese.

Depois de ter desejado as Boas Festas e um Feliz Ano Novo a D. António Carrilho, em nome do clero, o cónego Fiel de Sousa salientou que vivemos dias de alegria própria da quadra, mantendo “as nossas tradições” e as nossas “sementes cristãs”, não obstante os “tempos terem mudado” e haver, em seu entender “uma excessiva comercialização do Natal”.

Ainda assim, e ao contrário do que muitas vezes se diz, as nossas igrejas não se enchem apenas nesta altura do Natal. Na verdade enchem-se ao longo do todo o ano, sobretudo aos domingos, mostrando que as sementes, lançadas sobretudo durante o tempo de catequese, permanecem no coração nomeadamente dos nossos jovens. Prova disso é que “a Diocese do Funchal é onde se verifica um maior número de crismandos”, havendo também “um número significativo de jovens emigrantes que pedem à Igreja o sacramento do Matrimónio e o Batismo para os seus filhos”, muitos deles precisamente nesta quadra natalícia.

De resto, sublinhou, não foi o deixar a sua terra nem tão pouco os constrangimentos de viver no ilha que tiraram ao madeirense “a alegria de ser cristão e de professar a sua fé”, ou que levaram o povo a deixar de “acreditar que a sua grande alegria vem do Presépio e da Eucaristia”. Naturalmente, disse, que “num ou noutro aspeto é preciso uma fé esclarecida, de evangelização, para não desvirtuar o sentido autêntico da vivência cristã”.

O vigário geral terminou a sua intervenção, manifestando todo o seu apoio ao bispo diocesano, sobretudo “quando as forças começarem a ficar debilitadas pelo desânimo, falta de compreensão”. Nessa altura, disse, não vos esqueceis das palavras de São João: Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. Cristo é verdadeiramente a vossa alegria”.

Por parte da Confederação dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), coube à irmã Filipa Amaro, da Fraternidade Missionária da Verbum Dei, saudar D. António e pedir para que “Deus lhe continue a dar a capacidade de ser suporte de uma família como São José, que lhe dê o olhar atento às necessidades como Maria e que encha o seu coração do amor inefável de um Deus apaixonado pela realidade humana, cheia de grandeza e ao mesmo tempo de pequenez” e que faça “fortificar tudo o que semeou”. Desejou ainda um “2018 cheio de paz”. Da paz que “não vem de ter tudo resolvido ou de ter solução para todos os problemas, mas que vem da certeza de que o Senhor é connosco e que só precisa de alguém que O acolha”.

Já o professor João Apolinário, por parte dos leigos, agradeceu a D. António pelos 10 anos de dedicação à Diocese do Funchal, que já foi a maior do mundo, mas que, mesmo mais pequena nos dias de hoje, continua a ser uma “Diocese Família, uma Diocese Casa e uma Diocese Viva”, “transversal e dinâmica”.

Ainda assim, reconheceu, “há muito caminho por trilhar” e “muitos corações por preencher”, tendo desde logo manifestado, enquanto a sua disponibilidade paradar o seu contributo para fazer sobresair “a faceta juvenil da Diocese”, tendo em conta até o tema do Ano Pastoral 2017/2018, que destaca precisamente os jovens.