Na Dedicação da Igreja do Rosário D. António lembrou que “mais do que a Igreja de pedras vale a Igreja das pessoas”

A igreja do Rosário esteve em obras durante 7 meses, ao fim dos quais foi Dedicada numa cerimónia carregada de simbolismo e espiritualidade.

© Duarte Gomes

D. António Carrilho presidiu durante a tarde de domingo, dia 17 de dezembro, à missa de reabertura e Dedicação da igreja do Rosário, em São Vicente.

A cerimónia, com ritos próprios e carregada de simbolismo e espiritualidade, iniciou-se com o bispo da Diocese a abrir as portas da Igreja que, até então se mantinham encerradas, e a entrar. Atrás dele seguiram os sacerdotes que com ele concelebraram, nomeadamente os padres Vitor, Luís, Luís Miguel, Carlos, Élio e ainda o pároco local, o padre Hugo, e depois destes os inúmeros paroquianos, e não só, que aguardavam no adro, apesar da chuva miudinha que caía.

Lá dentro havia luz apenas na zona do altar, ainda desnudo. Não havia flores, nem velas acesas. Logo no início da Eucaristia, D. António procedeu à bênção da água, com que aspergiu as paredes e também a Assembleia.

A cerimónia foi decorrendo e até se cantou o Glória, que está suspenso da celebração neste tempo de Advento, mas que D. António disse que seria cantado “com a alegria de quem acolhe e faz do espírito de Deus, e faz deste edifício e desta casa de oração, Casa de Deus”.

Na homilia o prelado, começou por sublinhar que esta cerimónia de Dedicação da igreja restaurada acontecia no terceiro domingo do Advento, que é precisamente o domingo da Alegria. Esta é, disse, “a tónica fundamental deste domingo, no caminho da preparação do Natal do Senhor, é exatamente o convite a vivermos a alegria, uma alegria de dentro e uma alegria profunda, que nos ajude e prepare, para acolher Jesus e a mensagem que ele nos traz”.

Referindo-se às leituras do dia, nomeadamente ao evangelho, D. António salientou a luz de que falava João Batista. Ele que sabia que vinha para “dar testemunho da luz”, mas que sabia igualmente não ser essa mesma luz. Com esta simbologia de Jesus que nasce para ser, Ele sim, a Luz que ilumina os homens. Por isso João Batista, alegrou-se ao ver Jesus e ao encaminhar para Ele os seus discípulos.

Já nas leituras e no salmo falou-se precisamente de alegria. De resto, “alegria e luz são as duas palavras-chave deste domingo”, disse D. António, para logo acrescentar que “temos aqui a marca do que nós desejamos para uma igreja que seja realmente aquele espaço para todos nós de encontro com Deus, nos sacramentos de modo particular, como luz que nos encaminha por um caminho tal que, independentemente das dificuldades, das lutas e dos sofrimentos, nós sintamos a alegria de ser discípulos de Jesus e de tê-lo a Ele como mestre”.

Referindo-se à restaurada igreja, o bispo diocesano disse que a sua Dedicação, a sua consagração, é “um dom, uma graça, pela qual temos muito a reconhecer e a agradecer”. Explicou também quais os momentos que marcam esse rito da consagração, que começou com a bênção da água com que se aspergiu as paredes e a assembleia, uma ocasião que remete para o nosso baptismo, o sacramento “que nos abriu a porta da Igreja, como família de Deus e família de Irmãos.”

O momento seguinte seria a consagração do altar, que estando num lugar de destaque, “significa precisamente Cristo no meio de nós, no meio da nossa comunidade, o centro da nossa assembleia”. Ao lado está o crucifixo, “que nos faz pensar que este altar, presença viva de Cristo em todas as celebrações, nos convida e nos ensina a dar a vida por amor e a fazer tudo o que está ao nosso alcance para dar a conhecer aquele que é o Nosso Senhor e que nos ama, e ao mesmo tempo aprendermos com ele a seguir os seus passos de amor caridade”.

Prosseguindo, o prelado disse que este dia tão especial “é um apelo a todo este povo que aqui se congrega e celebra a sua fé, para se fazer verdadeiramente uma comunidade, uma comunhão de irmãos, uma família, que se coloca na disponibilidade do serviço e da entreajuda, com um coração atento e aberto, com capacidade para nos ajudarmos mutuamente e sermos testemunhas do amor de Jesus Cristo”, de sermos “discípulos missionários”, que passam aos outros o testemunho da nossa fé, caminho de vida, de alegria, de paz e de felicidade. E tudo isto na linha da presença, da comunhão e do apoio e, citando o Papa Francisco, na linha do bem-dizer e não o mal dizer, como tantas vezes acontece. “Quer dizer, a caridade passa pelas palavras, pelas obras, pela atenção mútua e pela relação entre todos”.

Neste contexto, sublinhou, “nós queremos ser pedras vivas o templo do Senhor. Alegramo-nos por ter uma igreja como espaço de encontro. É verdade. Mas mais importante do que as paredes e o edifício material, é a comunhão espiritual que nos une, o sermos igreja viva, mais do que a igreja de pedras vale a igreja das pessoas.”

Dirigindo-se aos muitos fiéis que enchiam o templo, D. António regressou por momentos às leituras, para voltar a falar de alegria. São Paulo, na segunda leitura, dizia “irmãos vivei sempre alegres”. Uma alegria que deve ser íntima, que se conquista através da oração, que é primeiro interior, embora possa ser exteriorizada, como “sinal da presença viva do amor de Deus”

A cerimónia prosseguiu com outros ritos importantes, nomeadamente a unção do altar e das quatro cruzes colocadas nas paredes, a respetiva incensação, o iluminar do templo para além do altar, o acender das velas e a colocação das flores nos locais próprios.

Houve ainda tempo para o prof. Norberto Nunes fazer uma breve resenha histórica da igreja e da paróquia, culminando neste dia que disse ser “um momento significativo para todos”, que marca “uma caminhada que esta comunidade tem feito sob o estímulo e orientação do seu pároco no sentido de renovar a sua igreja e de dotá-la de maior funcionalidade e dignidade”.

Refira-se que estas obras decorreram durante 7 meses, no decorrer dos quais o Pe. Hugo ia abrindo o templo de modo a que os paroquianos pudessem ir vendo o que estava a ser feito, dando a sua opinião, e vendo também em que estavam a ser gastos os seus donativos. Foram essas verbas, a que se juntaram outras vindas dos emigrantes que permitiram reunir os cerca de 100 mil euros necessários para concretizar o trabalhos, que contaram também com a colaboração da autarquia.

E coube precisamente ao Pe. Hugo Gomes, pároco do Rosário, no final da celebração, “agradecer a todos os que colaboraram para que este momento fosse possível”, em particular “ao povo de Deus”, “à comunidade viva que se empenhou tanto nas festas, nos bazares e noutros momentos, para zelar por esta que é a casa de Deus”, mas também à Câmara de São Vicente, cujo presidente esteve presente neste ato, onde também marcaram presença o secretário da Agricultura, a presidente da junta e o comandante dos bombeiros.

Recordando as palavras de D. António, o Pe. Hugo disse que “muitas vezes é mais fácil arranjar paredes do que a igreja viva”. É nisso que “vamos continuar também a trabalhar”.

No encerramento da Dedicação foi lida a acta desta mesma cerimónia, que foi assinada pelo bispo diocesano, pelo pároco, pelas entidades presentes e por todos os paroquianos que quiseram deixar o seu nome associado a este momento tão especial.

A terminar esta sua deslocação ao Rosário, D. António teve ainda oportunidade de proceder à inauguração e à bênção do presépio que se encontra no Adro da igreja e cuja visita recomendamos.