Na celebração da ‘Luz da Paz de Belém’ bispo do Funchal desafiou os escuteiros a “serem missionários da luz e da paz”

Como cristãos temos a obrigação e o dever de “fazer a inclusão” dos que se sentem excluídos, de “olhar pelos mais fracos e carentes” e de “partilhar esta luz com todos aqueles que dela precisem para os caminhos da sua vida”.

© Duarte Gomes

A igreja do Colégio acolheu, esta terça-feira, dia 19 de Dezembro, a celebração da ‘Luz da Paz de Belém’, iniciativa do Corpo Regional de Escutas (CNE).

Na celebração eucarística que marcou o evento, D. António Carrilho, bispo do Funchal, fez votos de que esta chama, vinda da Terra Santa, possa agora “brilhar intensamente”, entre nós, nesta quadra natalícia.

“Que todos nós congregados à volta desta luz de Cristo, Ele que é de facto a verdadeira luz, reconheçamos a necessidade de a receber e de a partilhar”, disse o prelado, para logo acrescentar que “não vamos guardá-la para nós”. Vamos antes “partilhar esta luz com todos aqueles que dela precisem para os caminhos da sua vida”, uma vida digna e “verdadeiramente humana”.

Neste contexto, D. António Carrilho lembrou a importância de fazer chegar a ‘Luz da Paz de Belém’ aos mais necessitados da sociedade e também àqueles que sofrem. No fundo, como cristãos, temos a obrigação e o dever de “fazer a inclusão” dos que se sentem excluídos, “olhar pelos mais fracos e carentes”.

Infelizmente, ainda há tantas vidas com a marca do sofrimento, da tristeza, da escuridão. Ainda existem tantas “carências humanas que deixam marcas na vida das pessoas”. Por isso, frisou, “Deus quer-nos de mãos dadas, olhando por todos, para que eventualmente recuperem e sejam ajudados a viver com a dignidade que é própria das pessoas humanas”. Essa ajuda ou se quisermos a partilha dessa luz, “sinal de Cristo vivo”, pode ser prestada, disse, de várias maneiras “um simples sorriso, ou uma dádiva de outra ordem, uma presença, o estar com, o acompanhar”.

Depois de lembrar que foi pelo batismo que recebemos pela primeira vez a luz de Cristo, D. António desafiou os escuteiros presentes a manterem viva essa luz, a fazê-la crescer “no coração de cada um”, e procurar “partilhar e repartir na vossa família, no vosso agrupamento, nalguma instituição de carenciados, de doentes, indo ao encontro dos que precisam, como missionários da luz e da paz para todos”.

No início da celebração, coube ao chefe Alberto, explicar o significado desta iniciativa, que é parte de uma campanha de caridade que começou na Áustria, para com crianças em dificuldade.

A ‘Luz da Paz de Belém’ é uma iniciativa mundial, a que os escuteiros se associaram em 1989, e com a qual se pretende também assinalar o Natal e testemunhar, no meio da sociedade, os valores da esperança e da vida, com base no nascimento de Cristo.

Esta chama veio da Gruta da Basílica da Natividade, em Belém, na Terra Santa, colhida a 25 de novembro por uma criança austríaca, e quatro elementos do Corpo Nacional de Escutas transportaram depois a luz diretamente de Viena para a cidade do Porto e do Porto para o Funchal.

Durante os próximos dias os elementos dos escuteiros vão andar por diversos locais a distribuir essa luz. “De candeia em candeia, esta chama, já percorreu mais de 5600 quilómetros sem se apagar e chega finalmente à Madeira”, disse o representante dos escuteiros, que sublinhou ainda que “o Natal cristão convida-nos e compromete-nos a fazer resplandecer a luz do nascimento de Jesus na vida de todos, traduzido em sonhos de uma vida nova para os que mais sofrem e para os pobres”. “Compete-nos agora, disse, dar continuidade à transmissão desta luz, para que brilhe no coração de cada homem. Hoje, e nos próximos dias, seremos milhões que nos deixaremos mover por esta luz que brilha no amor”.