Nossa Senhora da Conceição celebrada em vários locais marca o arranque dos preparativos para a “Festa”

Antigamente, era no Dia de Nossa Senhora da Conceição que se fazia a "função do porco". Também era nesse dia que a tradição mandava deitar  as searas de molho, para serem semeadas na primeira Missa do Parto, a  15 ou 16 de dezembro.

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D.R.

Apesar da tendência ser para cada vez mais se antecipar a quadra natalícia, há uma celebração que continua a marcar o início dos preparativos para a Festa. Falamos da celebração em honra de Nossa Senhora da Conceição – o Dia da Imaculada Conceição – que acontece a 8 de dezembro, e é assinalada em diversos locais da nossa ilha. Desde logo, em Machico e no Porto Moniz, onde tem honras de padroeira, mas também nas capelas que lhe são dedicadas, por exemplo em São Roque, no Funchal, nas Amoreiras, Arco da Calheta, e na Avé Maria, Ribeira Brava.

Mas não é tudo. Em Câmara de Lobos, na Camacha, em São Jorge, no Paul do Mar, na Ponta do Sol e no Monte, também se realizam festas dedicadas à Imaculada Conceição, precedidas das respetivas novenas e seguidas de procissões.

Vamos por partes. Em Câmara de Lobos, na pequena capela existente junto à baía haverá Eucaristia no dia 8, pelas 16 horas, seguida de procissão. Na véspera, dia 7, às 19 horas começará a missa da vigília daquela festa.

Capela requalificada

A paróquia de São Roque, por seu turno, vai assinalar a festa da  Imaculada Conceição na respetiva capela. Será no dia 8, iniciando-se a missa às 16 horas. Entretanto, estão a ser celebradas as novenas às 20  horas, sendo que a missa da vigília, no dia 7, será também a essa hora.

Aqui abrimos um parêntesis para referir que esta pequena capela foi, por estes dias, alvo de obras. A Junta de Freguesia, no cumprimento de  um compromisso assumido no ano passado, procedeu, em colaboração com a Direção Regional da Cultura, à recuperação do alpendre que se encontrava degradado e a alguns “retoques” na pintura, deixando assim a pequena capela pronta para receber os inúmeros fiéis que ali acorrem.

Do mesmo modo, a paróquia do Monte irá assinalar a festa da Imaculada Conceição, com missa às 17 horas do dia 8 de dezembro, com a também  habitual Consagração Total a Jesus Cristo pelas mãos de Maria, segundo o método de São Luís Grignon de Monfort. Já no dia 7 de dezembro, será  celebrada a Eucaristia vespertina às 19 horas, seguida de procissão.

Na Capela do Espírito Santo, também conhecida por Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Lombada dos Esmeraldos, Ponta do Sol, a missa  da vigília será celebrada às 19 horas do dia 7 de dezembro e a festa  realizar-se-á no dia 8, às 15 horas.

Na capela da Avé Maria, na Ribeira Brava, no dia 8 de dezembro irá ser celebrada a festa da Imaculada Conceição com missa às 15 horas, seguida de procissão. Na véspera, às 20h30, terá início a missa da vigília.

Já na igreja do Paul do Mar, a festa terá lugar às 15 horas, sendo que no final decorrerá a procissão. Na véspera, às 19h30, será celebrada a missa da vigília.

Em Machico, a festa em honra da padroeira será celebrada no dia 8, às 15 horas, seguida da habitual procissão, enquanto na véspera a missa da vigília terá lugar às 20 horas.

No Porto Moniz, por seu turno, a padroeira será celebrada com a  Eucaristia a principiar às 14 horas do dia 8, seguida de procissão. No dia 7, às 20.30 horas, serão celebradas novena e missa.

Já nas paróquias de São Jorge e da Camacha, a Imaculada Conceição será  assinalada, na primeira com missa às 17 horas do dia 8, e na segunda com a realização de uma procissão após a missa das 11 horas.

Na Sé do Funchal, também às 11 horas do dia 8 de dezembro, será celebrada a Eucaristia em louvor da Imaculada Conceição.

Padroeira de Portugal

Deve-se ao rei D. João IV o facto de Nossa Senhora da Conceição ter sido proclamada Padroeira de Portugal. Foi por proposta sua, durante as Cortes reunidas em Lisboa desde 28 de dezembro de 1645 até 16 de  Março de 1646, que tal se deu, afirmando o soberano «que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original» e comprometendo-se a doar em  seu nome, em nome de seu filho e dos seus sucessores à Santa Casa da Conceição, em Vila Viçosa, «cinquenta cruzados de oiro em cada ano», como sinal de tributo e vassalagem, a dar continuidade à devoção de D. Afonso Henriques, que tomara a Senhora por advogada pessoal e de seus  sucessores.

O ato da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de  Portugal, efetuado com a maior solenidade pelo monarca a 25 de março desse ano (1646), alargou-se a todo o País, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para celebrar a Conceição
imaculada da Virgem, ou, mais precisamente, a Maternidade Divina de Maria. Assim se tornou Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal, não voltando por isso, desde aí, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus.

Em 1648 D. João IV manda cunhar moedas de ouro e de prata, tendo numa das faces a imagem da Imaculada Conceição com a legenda TutelarisRegni – Padroeira do Reino. Em 1654 ordena que sejam postas em todas as portas e entradas das cidades, vilas e lugares do reino pedras lavradas com uma inscrição alusiva à Imaculada Conceição (lápides essas ainda hoje existentes em certos locais). Outros reis seus sucessores continuaram a tradição deste culto de homenagem a Nossa Senhora, caso de D. João V, em 1717, que recomenda a todas as igrejas a celebração anual com pompa e solenidade da Festa da Imaculada Conceição, enquanto D. João VI emite um decreto criando a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e a Cabeça da Ordem (lugar principal) na Sua Real Capela.

D. Luís I, oficializa, por sua vez, em 1854, a bula Ineffabilis Deus, do papa Pio IX (se bem que, por motivos políticos, o beneplácito régio só venha a concretizar-se um ano depois), comemorada no dia 8 de Dezembro de 1855 com solenes festividades, a assinalar o primeiro aniversário da Definição do Dogma, comunicado ao Mundo um ano antes pelo papa.

Origem do culto

As festividades à Virgem terão surgido, inicialmente, no Oriente, nos finais do século VII ou inícios do século VIII, embora somente nos princípios do século XII a devoção se expanda progressiva e definitivamente por todo o mundo cristão – até aqui com as opiniões dos teólogos divididas entre o prodígio do Nascimento de Cristo e a Santificação da Bem-Aventurada Virgem Maria (defendida pelos dominicanos).

A partir de 1310 o culto à Imaculada Conceição começa a ser largamente difundido nas dioceses portuguesas da Guarda, Lamego, Évora e Lisboa, com a adesão de Braga a verificar-se em 1325. No Concílio de Basileia (1439) é então declarado que «a doutrina sobre a Imaculada Conceição era pia, muito conforme com o culto eclesiástico, com a fé católica, com a reta razão e a Sagrada Escritura, e que por isso devia ser aprovada, seguida, abraçada por todos os católicos».

Sisto IV proclama, por seu turno, que seja celebrada em todas as igrejas o Ofício e Missa da Puríssima Conceição, enquanto diversos papas (Paulo V, Gregório XIV, Alexandre VIII e Clemente IX, entre outros pontífices exaltaram a remotíssima «devoção à pureza e santidade da Virgem Santíssima, concebida sem mácula do pecado original – a Filha do Eterno, a Mãe de Jesus, a Esposa e o Templo do  Espírito Santo».

Feriado nacional e dia santo de guarda, “a data de 8 de dezembro constitui-se como um dia de festa religiosa, associada durante muitos anos à celebração mundial do Dia da Mãe, atualmente comemorado no primeiro domingo do mês de maio.”