Comentário à Liturgia I Domingo do Advento

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Por P. Carlos Almada

Veio, vem e virá.

Neste Domingo, inicia-se o Tempo de Advento, ou melhor, um tempo de preparação para celebrar o nascimento de Jesus. Não estamos à espera de um segundo nascimento, ou, que finjamos que Ele volta a ser criança, mas celebramos a sua vinda, conscientes que Jesus está e virá uma segunda vez, como o próprio promete: “Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”.

Façamos este caminho de advento seguindo os passos de Jesus, ouvindo as suas palavras, aderindo aos desafios e propostas que a nossa Igreja nos propõe: vigiai, convertei o olhar, as palavras, o que se fabrica no nosso coração. A preparação passa por apreender a ter os sentimentos de Jesus. Deixemos que a simples beleza e autenticidade da adesão a Jesus nos aproxime do mistério da gruta de Belém: Deus quer estar connosco.

O profeta Isaías, personagem do Antigo Testamento, é o grande profeta que nos aproxima de forma especial, da promessa de Deus na vinda do Messias tão esperado. Isaías convida-nos a «dar/ter dois passos/atitudes»: a reconhecermos a presença de Deus; e a pedir-Lhe que venha ao nosso reino: “oh se rasgásseis os céus e descêsseis.”

Rezemos juntamente com o salmista o Salmo 79(80). O Deus dos exércitos, é o pastor e agricultor. Jesus é a Sua presença efectiva, não retira o lugar de Deus-pai, mas vem como obreiro, aquele que visita o seu povo, a vinha que o Pai plantou. Esta forte simbologia, atreve-nos a reconhecer que não estamos sós (como poderia o nosso Pai abandonar-nos?)

Como obra que somos, precisamos de manutenção, o Tempo de Advento, é o como que a época ideal para as «pequenas ou grandes reparações da nossa vida».

Vigiai, diz Jesus no Evangelho. Vigiar, estar atento, desperto…. disponível para ser Seu discípulo, aquele que ouve, guarda a sua palavra e a põe em prática. Aqueles que o fizerem, prepararam-se para sua vinda diária, e para a vinda no fim dos tempos.