Comentário à Liturgia do XXXIII Domingo do Tempo Comum

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Por Padre Fábio Ferreira

Neste XXXIII Domingo do Tempo Comum, associado a Semana de Oração pelos Seminários, Jesus remete os seus discípulos para uma das suas mais belas histórias sapienciais, que devem moldar o modo de ser e de agir daqueles que se sentem chamados a integrar os seguidores de Jesus.

Chamando a si os seus três fiéis trabalhadores, o homem parte numa viagem rumo ao desconhecido e confiando-lhes os seus próprios bens. Ele tira dos seus tesouros e partilha com os seus servos. Esta mesma atitude está patente em Jesus que nos confia todos os seus tesouros: um grupo de catequese, uma família, uns escuteiros, uns colegas de trabalho, uma comunidade, uns jovens, um doente, um necessitado, uma paróquia, etc… Jesus ousa partilhar tudo isto connosco: a uns dá cinco, outros dá dois e outros apenas um… A missão em linguagem matemática é duplicar a sua soma do que foi entregue, em linguagem económica colocar a lucrar ou a render e em linguagem espiritual dar um pouco si e empenhar-se na missão para a qual foste chamado.

Não há tempo para cruzar os braços ou simplesmente ser como a avestruz que escava um buraco na terra e se esconde com medo da incerteza. O desfio é dar crédito a estas palavras ditas por Maria aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Em cada rosto humano, o cristão é convidado a descobrir uma forma de colocar a render os seus talentos olhando para as suas histórias e experiências, os seus problemas e anseios, as suas alegrias e os seus sofrimentos… tudo se torna um motivo para colocar aquelas moedas a render ou a engrandecer o grande tesouro do céu que é feito das nossas boas obras, sacríficos e orações. Não entreguemos a Jesus uma moeda marcada com as marcas do tempo e com a sujidade de quem se escondeu e que nada fez pelo Reino dos Céus.

A semana de oração pelos seminários é uma semana marcada pela oração mais intensa pelas vocações sacerdotais e também por aquela interpelação do Mestre: «a messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da messe que mande trabalhares para a sua seara» (Mt 9, 37-38). Na nossa oração, procuremos dialogar com o Senhor com as seguintes perguntas: Tenho rezado pelas vocações? Tenho colaborado na messe do senhor? Faço o que Ele (Jesus) me pede ou enterro os meus talentos? Vivo com medo de seguir Jesus? Será que a voz do Senhor me chama a algo mais?