Departamento Nacional da Pastoral Juvenil tem novo diretor. Entrevista ao Pe. Filipe Diniz

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Por DNPJ

O Padre Filipe José Diniz, sacerdote da Diocese de Coimbra, 35 anos, é o novo diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ). Publicamos a entrevista realizada por este departamento.

DNPJ: Na opinião do padre Filipe Diniz o que é que atrai hoje os jovens?

Padre Filipe Diniz (FD): Os jovens necessitam de ter um algo para servir ou para se sentirem úteis. É na descoberta do fazer algo em prol do outro que leva o jovem a descobrir a sentido da fé cristã.

Existem imensas experiências de voluntariado paroquiais, de movimentos católicos ou civis, que realizam integralmente o jovem. Aliás, é a necessidade do agir para descobrir o ser. Para além desta experiência, existem as associações juvenis ou estudantis que procuram defender ideais e de fazer algo em prol dos outros. Para além destas realidades, com outra componente, existem estes grandes aglomerados juvenis (concertos, congressos, etc…) que proporcionam convívio, relações interpessoais para a descoberta do “seu mundo” e do “mundo”.

Entre estas e outras experiências, a atração não é mais do que aquilo que cativa os olhos e o coração do jovem, para descobrir o caminho da sua vida.

DNPJ: A partir da realidade diocesana de Coimbra e do que acompanha nas dioceses portuguesas os jovens sentem-se acolhidos na Igreja?

FD: Na minha perspetiva, a Igreja ainda é uma realidade que proporciona um bom acolhimento dos jovens. Necessita é de criar espaços de diálogo e que os ajude a discernir o seu caminho.

Na maioria das dioceses portuguesas, de acordo com os planos de atividades apresentados, existe uma preocupação nas atividades juvenis de se adaptarem às necessidades dos jovens.

DNPJ: A Igreja deve apresentar aos jovens propostas ousadas e com qualidade. Que propostas são estas? Há atividades nacionais que devem ser repensados, quais e porquê?

FD: As propostas que a Igreja deve apresentar aos jovens, na minha ótica, terão que ir numa perspetiva da evangelização. Procurar modelos e métodos de evangelizar os jovens de acordo com o nosso tempo.

O Evangelho de Jesus Cristo tem que fazer parte da vida do jovem. Mas, para que haja uma evangelização com sentido, terá que se criar experiências de primeiro encontro com Cristo.

A nível nacional existem atividades que necessitam de ser repensadas, mas deixo para uma avaliação com os secretariados diocesanos de forma a ponderarmos e a tomarmos as decisões certas.

DNPJ: Vivemos no mundo da comunicação, da internet e das redes sociais? Como é que podem e devem ser mais potencializadas como meio de evangelização, informação e comunicação com os jovens?

FD: É verdade que vivemos num mundo digital onde tudo se torna mais próximo, imediato e fácil. Ainda bem que vivemos… Mas a questão é: Que relações se constroem? Que aplicações existem para o bom relacionamento?

A Igreja deve procurar estes meios ou canais de informação para saber comunicar a mensagem do Evangelho. A comunicação e a informação são ótimos requisitos para que evangelizemos os jovens, mas não podemos esquecer a relação direta, real e pessoal. Não cair somente na era digital.

DNPJ: Qual a importância do Sínodo dos Bispos de 2018? Qual a sua pertinência neste momento, depois do sínodo dedicado à família e entre Jornadas Mundiais da Juventude?

FD: Este sínodo veio num momento oportuno. Depois de olharmos para as situações familiares no mundo e na Igreja Católica, nada melhor do que ver e observar esta realidade juvenil. Como vivem e pensam os jovens de hoje para o nosso futuro. Cuidar deste campo é de extrema importância, pois serão eles os homens e mulheres a constituir “novas” famílias.

Sem escutar os jovens não entendemos o seu modo de pensar e, por sua vez, o seu modo como observam o futuro. O questionário é perspicaz nas questões, pois procurou buscar as sensibilidades dos jovens dentro e fora da Igreja.

Para que a Igreja seja compreendida ou entendida, necessita de saber as várias linhas de pensamentos que a realidade juvenil sente e vive no nosso tempo.

 

DNPJ: Na sua opinião que relevância tem o sínodo não ser só dedicado aos jovens e à fé mas também ao discernimento vocacional?

FD: É de extrema relevância o Sínodo estar a tocar no discernimento vocacional, pois é nesta etapa que os jovens colocam a questão, para que é que existo e que sentido faz a minha vida.

Aliás, a Igreja tem um papel muito importante no acompanhamento do jovem. É necessário haver um acompanhamento do jovem, para o ajudar a fazer as escolhas certas para a vida. É daí, que vão surgindo vocações religiosas e vocações para o matrimonio mais solidas e claras.

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DNPJ: No geral a Igreja acompanha os jovens para que saibam “reconhecer, interpretar” e “escolher”?

FD: São interessantes estes três verbos ou linhas de orientação para um bom acompanhamento dos jovens. Todavia, a Igreja acompanha, embora nem sempre consiga estar sempre presente.

Para acompanhar é necessário ter tempo e criar espaço para compreender e entender os jovens de hoje. A Igreja deve sentir o pulsar de quem vive numa realidade em constante mudança e a receber tanta informação onde parece que tudo está tão próximo. A Igreja deve ser um espaço de escuta e de acolhimento do jovem de forma a ajudá-lo a discernir as suas opções de vida.

DNPJ: Quais são as prioridades para a pastoral juvenil e para o respetivo departamento nacional?

FD: Como devem compreender no início de um projeto não existem objetivos claros e consistentes para trabalhar, mas tenho algumas prioridades prementes para o início desta missão.

Primeiro: Procurarei compreender o serviço que os meus antecessores no Departamento fizeram durante estes vários anos. Perceber as alegrias e as tristezas que definiram para os seus projetos;

Segundo: Criar uma relação próxima com os responsáveis dos secretariados diocesanos e movimentos juvenis, procurando criar um espirito de corpo nas relações e no trabalho;

Terceiro: Criar uma equipa de conselho permanente para encontrar um projeto que se ajuste à pastoral juvenil nacional. Constituída pelas mais diversas realidades juvenis no foro da Igreja Católica, porque não aproveitar e trilhar caminho numa direção ajustada e ajustável à juventude;

Quarta: Repensar estratégias e pedagogias para a pastoral juvenil. Aproveitando o questionário que o Papa lançou para o Sínodo dos Bispos no próximo ano, olhar para os questionários a nível nacional e definir estratégias comuns respeitando cada realidade diocesana.

DNPJ: Como recebeu o convite para este serviço aos jovens, à Igreja Católica em Portugal e à sociedade?

FD: Este convite é recebido com muita alegria e com muita humildade. Reconheço que não é um serviço muito fácil.

Recebi este convite para colaborar e cooperar com e pela Igreja. Irei procurar com os diretores dos secretariados diocesanos e movimentos juvenis estreitar ligações de alegria e de entusiasmo para os jovens e com os jovens.

Os jovens necessitam de ver, olhar e ouvir uma Igreja de Jesus Cristo alegre e cooperante.

DNPJ: Qual foi o seu percurso na pastoral juvenil? Na juventude a que grupos/movimento pertenceu?

FD: O meu percurso na pastoral juvenil começou no ano 2010 aquando o senhor D. Albino, bispo de Coimbra, me confiou a responsabilidade na diocese desta área tão especial e me tão querida.

Aliás, desde o meu percurso de seminário sempre estive ligado a grupos de jovens paroquiais por onde colaborei. No movimento escutismo católico português colaborei em agrupamentos, estive presente em atividades e acampamentos regionais colaborando nas respetivas equipas.

DNPJ: Qual a importância de trabalhar em conjunto com outros departamentos e serviços da Igreja estejam ligados diretamente ou não à pastoral juvenil?

FD: A pastoral juvenil deve ser ponte com todos os serviços ligados à área juvenil, assim como os que não estão ligados. É uma riqueza enorme haver partilha de projetos e de sensibilidades, para um projeto comum. Este é o caminho sinodal da Igreja.