Novo órgão litúrgico da Sé leva a assinatura do Bispo do Funchal

O novo órgão litúrgico da Sé do Funchal será inaugurado e benzido esta semana, no dia 13 de outubro, em união com a celebração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima. A cerimónia está marcada para as 21 horas e será presidida por D. António Carrilho que, na noite desta segunda-feira, deixou a sua assinatura no “tubo maior” do instrumento, como é da tradição para alguns órgãos adquiridos no nosso país, nomeadamente para as catedrais. Assim, o “tubo maior da fachada”, onde está também gravada “uma dedicatória relacionada já com o que se vai passar no próximo dia 13”, tem a assinatura do bispo do Funchal, D. António Carrilho, do presidente ou deão do Cabido, cónego Vítor dos Reis Franco Gomes, e do Mestre de Capela, responsável da música sacra na diocese, padre Ignácio Rodrigues.

O novo órgão da Sé tem “930 tubos e milhares de peças”, explicou na oportunidade o mestre organeiro Dinarte Machado. Trata-se de um “instrumento de raiz, construído nas oficinas de Mafra, e montado aqui de acordo com a acústica, a estética, a caraterística histórica do espaço e do ambiente próprio da igreja”, explicou ao Jornal da Madeira este responsável pelo desenho e construção do instrumento.

“O órgão é dedicado à Santíssima Trindade, por isso, a sua fachada de tubos é ímpar, além de que exibe nos registos o nome gravado em “laser” de cada santo que está aqui dentro da Sé, como santo Ambrósio, santa Rita…”. Outra das suas caraterísticas é a possibilidade de rodar. Ou seja: “Este instrumento posiciona-se em duas ou mais partes a partir de um eixo que permite que o instrumento vá de acordo com a cerimónia que se passa na igreja, seja um concerto ou uma celebração litúrgica; poderá tocar encostado à parede, na sua posição mais estável ou onde passará mais tempo, mas, também roda e pode ficar defronte do altar, o que permite que tenha uma expressão sonora um pouco mais presente”, pormenoriza.

Peça integrante num espaço histórico e secular, uma das preocupações do mestre organeiro foi instalar o instrumento “dentro de uma forma leve, sem pesar demasiado, sem incutir a sua assinatura ou a sua presença no contexto histórico e estético da igreja; não é muito fácil, mas creio que, em grande parte, conseguimos construir um instrumento que é livre do ponto de vista da sua estética para permitir que o próprio espaço da igreja complete o seu desenho; por exemplo, o corpo superior deste órgão não está terminado, para que seja o edifício a terminá-lo. E isso significa a forma de integrar um determinado objeto moderno, que não é fácil, mas que é possível faze-lo, e acho que aqui fica o exemplo de um desenho que se pode integrar dentro de um edifício histórico desta importância e grandeza”, acrescentou Dinarte Machado.