Nossa Senhora do Socorro com festa em Santa Maria Maior

A Igreja do Socorro, onde a missa da Festa vai ter lugar esta tarde, pelas 16 horas, está hoje em destaque no nosso Jornal.

Celebra-se este domingo a Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Paróquia de Santa Maria Maior, iniciando-se a Eucaristia pelas 16 horas, seguida de procissão.

Apesar de ser uma festa citadina, a mesma continua a atrair os devotos, nomeadamente os de Nossa Senhora do Socorro, que ali vão agradecer as graças recebidas e renovar os votos de proteção por mais um ano.

A edificação da Igreja de Santa Maria Maior, outrora conhecida por igreja de Santa Maria do Calhau, atualmente de invocação a nossa Senhora do Socorro, está associada ao cumprimento do voto que foi assumido pela Câmara Municipal do Funchal em 1521, por ocasião do surgimento de um surto de peste e que resultou na eleição de São Tiago Menor para padroeiro da cidade.

Ampliada e restaurada em 1632, “esta construção foi afetada no decorrer do século XVII por um processo de decadência desmoronando-se após a ocorrência do terramoto sentido na madrugada de 1 de abril de 1748.

Em sua substituição viria a nascer o atual templo, em princípio no mesmo local da antiga igreja, com a câmara municipal a “recorrer ao patrocínio régio que, através da Fazenda Real, contribuiu com 10 mil cruzados, provenientes da cobrança do imposto real «dos quatro e meio por cento do ano de 1749, e do presente, e do que a mesma cidade e freguesias dela devem até ao ano de 1738 (…)».”

Os trabalhos de construção decorreram por volta de 1751, sob a orientação do mestre das obras reais Domingos Rodrigues Martins, que ficou também responsável pela planta e pelos orçamentos, e terminaram em 1768.

O corpo da igreja foi edificado no sentido norte/sul e as suas proporções acabaram por ser ligeiramente alteradas em relação ao projeto inicial. No fundamental, a estrutura acompanhou aquelas que eram as soluções e as linhas típicas da arquitetura barroca de meados do séc. XVIII.

No interior, lê-se no Guia dos Monumentos do Funchal, coordenado Por Diva Freitas e que temos vindo a citar, que “a decoração foi concebida dentro do ideário artístico do barroco tardio, sendo de assinalar nesta igreja o trabalho de talha rococó dos altares e a pintura do teto ao gosto do século XVIII, com composições a estilizar alegorias arquitetónicas, em trompe l’oeil, e temas marianos, estes últimos em destaque na capela-mor.
Como elemento mais antigo, herdado ao que se sabe da primitiva igreja matriz, “é de salientar o grande sacrário de prata e ébano, atribuído ao século XVII e na sacristia um armário com alçado pintado e datado de 1567, que durante anos encimou um tríptico luso-flamengo, representando São Tiago Menor e São Filipe ladeados com o retrato da família de Simão Gonçalves da Câmara, atualmente depositado no Museu de Arte Sacra.

Em 1766 estabeleceram-se contatos entre a Câmara e o cabido para a transferência da imagem de São Tiago, guardada na Sé, para a nova igreja. Todavia, esse desejo só viria a concretizar-se em 30 de abril de 1768. Nessa altura realizou-se uma procissão solene na qual participaram as principais entidades da ilha, nomeadamente o governador, o bispo e as companhias de ordenanças que engalanaram as ruas por onde passou a procissão.

Por via da destruição da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Calhau, na sequência de uma terrível aluvião ocorrida em 1803, a Câmara cedeu esta igreja para servir de sede à paróquia “com a condição de ali ser sempre conservado o orago e patrono da cidade, São Tiago Menor”.

Com o passar dos anos verificou-se “uma forte devoção mariana, em particular a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que neste templo passou a ter altar, acabando por fazer esquecer quase por completo o antigo orago, sendo por esta razão mais conhecida por Igreja de Nossa Senhora do Socorro ou de Santa Maria Maior.

Devido à nova invocação o templo foi “enriquecido com um conjunto de pinturas e de símbolos marianos, evidenciando-se esta iconografia em várias telas, na decoração do teto da igreja e no arco triunfal”.