O primeiro dia de aulas

Editorial

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Nestes dias foi notícia o primeiro dia de aulas do príncipe George, de 4 anos, filho de Kate e William, duques de Cambridge. Sem dúvida, trata-se de um momento decisivo na formação daquele “pequeno príncipe” e na sua preparação para o futuro. Este evento sugeriu dirigir a nossa atenção para todas as crianças que, neste início de ano lectivo, vão entrar pela primeira vez na escola. Este é o primeiro passo numa caminhada de grande significado para o crescimento de cada criança, suas famílias, e a sociedade em geral.

Ao ver as escolas novamente cheias de movimento, cor e vida percebemos que elas são muito mais que “edifícios”. A escola é um laboratório de sonhos e projetos. A escola fala de esperança! Não só para os mais pequenos, como para os mais velhos, pois hoje, mais do que nunca, se aplica o ditado popular: “nunca é tarde para aprender”. Foi com orgulho que pudemos ler, num estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que Portugal é o país com melhor desempenho na conclusão do ensino secundário para maiores de 25 anos.

No entanto, também existem sinais de preocupação, designadamente, com a elevada taxa de jovens  que abandonam o ensino secundário e aqueles que permanecem sem ocupação. Nem estudam, nem trabalham. Este é um cenário preocupante, que coloca interrogações sobre as causas que levam uma sociedade a descartar precisamente os seus elementos com mais potencialidade e criatividade. O insucesso, tanto o escolar, como o profissional, dizem muito do caminho que ainda falta percorrer.

A perigosa ruptura que se insinua entre a escola e a sociedade, facilmente abre um abismo onde muitos jovens acabam por cair. Não podemos ficar indiferentes à sensação dos muitos que “vêem a vida a passar sem sentir que estão a passar pela vida” – disse-me alguém esta semana.

O papel determinante da escola na construção da sociedade significa também dar competências e instrumentos de realização profissional. Neste sentido, é insubstituível a missão dos professores, que hoje têm que competir com os avançados sistemas tecnológicos que facilitam o acesso à informação, mas não à educação. Educar não é o mesmo que veicular conteúdos: educar é comunicar cultura.

Ainda ontem o Papa Francisco falava de “emergência educativa”, reconhecendo a urgência da tarefa de “educar e acompanhar as novas gerações a aprender os valores humanos e a cultivar uma visão evangélica da vida e da história”. Este parece ser um bom desafio para este novo início de ano escolar.