A rotina do quotidiano com espírito renovado

Editorial

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O regresso ao trabalho, depois de um tempo de férias, transporta-nos à rotina da vida quotidiana, com a agenda preenchida e os ritmos acelerados. Nem sempre é fácil fazer esta transição e substituir a espontaneidade dos dias de férias pelo ciclo mais ou menos monótono das actividades laborais.

O cansaço, qual companheiro de jornada, voltará teimosamente e far-se-á notar. As “baterias carregadas” nas férias, rapidamente perderão energia perante o peso das preocupações do dia-a-dia. Os dias vão se sucedendo, um após outro, e até podemos colocar com antecedência um “pé” nas “missas do parto”, sinal de uma construção mental para a próxima etapa de férias.

Como em qualquer recomeço, o regresso ao trabalho pode contribuir para redefinir a nossa hierarquia de prioridades, tornando os dias mais ricos de significado. Este ano, em particular, com as recentes tragédias que assolaram a região e o mundo, nem sempre será fácil adoptar um olhar positivo perante a realidade e juntar as forças necessárias para avançar. Talvez por isso devamos valorizar ainda mais o que a rotina tem de positivo.

Uma estratégia para contornar o “stress pós-férias” é iniciar a rotina com “espírito renovado”, isto é, olhar com energia para a aventura da vida quotidiana, com as suas surpresas, imprevisibilidades e novidades. A rotina não tem que ser obrigatoriamente um fardo monótono. Pelo contrário, pode ser vivida como uma bússola que aponta consecutivamente novos caminhos.

A rotina pode revelar espaços de encontro, diálogo e amizade, se houver a capacidade de acolher o outro na nossa própria vida. Pelo contrário, quando a rotina é usada como justificação para nos encerrarmos em nós próprios e nos nossos objectivos, despoletam sentimentos de tédio, enfado e ausência de significado.

A rotina também pode ser também lugar de encontro com Deus, onde se cultiva uma espiritualidade da vida quotidiana que permite, por exemplo, saborear uma música, mergulhar numa passagem do Evangelho, ou simplesmente permanecer em atitude de silêncio orante. Com pequenos gestos de abertura ao outro e de proximidade com Deus, transformemos o nosso dia-a-dia em verdadeiras experiências de vida renovadas.