Retiro do Clero – Dias de “encontro com o Senhor” para voltar às comunidades mais fortalecidos

Sacerdotes que participaram no Retiro - Santuário da Paz - Terreiro da Luta

Terminou na tarde de ontem o retiro do clero orientado pelo P. Mário Sousa, sacerdote da Diocese do Algarve, professor de Novo Testamento no Instituto Superior de Teologia de Évora.

A missa de encerramento do retiro onde participaram dez sacerdotes da Diocese do Funchal foi presidida pelo Vigário Geral, Cónego José Fiel de Sousa em representação do Bispo do Funchal.

Na homilia, o Cónego Fiel fez referência à festividade da Natividade da Virgem Maria que a Igreja Oriental celebra como início do ano litúrgico convidando os sacerdotes presentes para “aproveitar este final de retiro para programarmos o ano pastoral”.

Falando sobre o tema geral do retiro: “Atrás de Jesus”, o Vigário Geral confessou que ficou “fascinado por este título do retiro”. Inspirado no Evangelho de S. Marcos disse que no dia típico de Jesus havia momentos para a oração: “De manhã, ainda muito cedo, levantou-se e retirou-se para um lugar deserto e aí rezava” (Mc 1, 35).

“No ano típico do padre – acrescentou o Cónego Fiel – tem que haver lugar para o retiro. Senão, quase posso dizer que é um ano atípico na vida do Padre. Não fazer retiro é um ano atípico na vida de um padre”.

A partir da maternidade de Maria, o Vigário Geral, falou do chamamento a viver na nova família que é o presbitério “família de comunhão, família de irmãos”. “No nosso presbitério não somos todos iguais, mas temos que nos sentir todos como irmãos” – afirmou.

Para o P. Silvano Gonçalves este retiro foi “guardar esta palavra que me convida a estar com Jesus, não apenas a pedir a Jesus não apenas agradecer a Jesus, não apenas a implorar a Jesus, mas apreender a estar com Ele”. O Pároco da Atouguia, Calheta e São Francisco Xavier referiu também que: “o ambiente foi muito propício, deste o silêncio, aos colegas presentes, á nossa amizade entre todos, a toda a envolvência, felizmente tudo foi muito propício para estar com Ele e, digamos, o saboreá-lo, que foi fundamental nestes dias”

O P. Óscar Andrade partilhou que fazer retiro foi uma “experiência muito boa” apesar da dificuldade em parar devido às muitas actividades. “Muitas vezes estamos atarefados, com tanta coisa á nossa volta. Estou no meio de duas festas, em S. António com Nossa Senhora de Guadalupe e no próximo domingo tenho a festa do Senhor da Paciência no Lombo dos Aguiares. Estamos ainda em altura de festas, mas é bom também saber parar para fazer este encontro com o Senhor, porque quando nós paramos damos mais valor á vida, á Palavra”.

Para este sacerdote, o orientador do retiro ajudou a aprofundar o conhecimento do texto bíblico: “Tivemos a graça de ter um professor de bíblica, também nos abriu o horizonte, porque na altura das aulas, por vezes estávamos distraídos, por vezes até muito atentos, mas não apanhamos tão bem este conhecimento da Palavra que vamos adquirindo ao longo dos tempos e ele nos deu outra perspectiva das palavras e dos gestos de Jesus”.

No final do almoço, o P. António Paulo dirigiu, em nome dos participantes do retiro, uma palavra de agradecimento ao P. Mário Sousa. “Para mim foi mesmo proveitoso, precisava mesmo deste momento para me encontrar com o Senhor. Sabendo que o meu lugar é ir atrás dele e tive esta oportunidade destes dias de me encontrar com o Senhor pelas palavras que o P. Mário proferiu”. Acrescentou – “Foi um momento de deserto, procuramos fazer silêncio e voltamos para as nossa comunidades mais fortalecidos”.

Partilhou ainda este sacerdote, pároco dos Canhas, Carvalhal e Cristo Rei: “Sempre fiz o retiro no mês de setembro depois de ter terminado o ano pastoral e penso que, 24 anos depois de retiros que tenho aqui tido nesta casa, este foi daqueles que tocou bastante o meu coração. Os problemas não deixam de existir mas é no Senhor que encontramos solução e vamos mais fortalecidos”.

O orientador do retiro, P. Mário Sousa, também deixou uma palavra de gratidão pelo acolhimento e pelo “silêncio que se foi impondo por necessidade interior”, não um silêncio “oco”, mas de reflexão e de encontro com o rosto de Cristo.”

“Quero agradecer-lhes o acolhimento e pedir ao Senhor que nos ajude a todos a sermos dignos discípulos, que nos alimente e fortaleça com os seus dons para que possamos ser dentro deste grupo de discípulos que todos nós somos, pastores e pais, para que outros também se possam colocar atras dele e fazer dele o único pastor das suas vidas, obrigado por tudo” – concluiu o sacerdote que orientou o retiro.

Participaram no retiro entre os dias 4 e 8 de Setembro na casa de Retiros do Terreiro da Luta os sacerdotes: P. Agostinho Bonifácio Santos, P. António Paulo de Ponte Sousa, P. Bernardino Correia Andrade, Cónego João Francisco Dias, P. José Pascoal de Freitas Gouveia, P. Manuel Jorge Fernandes Neves, P. Óscar Heliodoro Xavier de Andrade. P. Paulo Jorge Catanho Silva, P. Silvano Vieira Gonçalves e P. Vitor Manuel Baeta de Sousa.