Comentário às leituras de Domingo XXII do Tempo Comum

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Por P. Carlos Almada

As leituras que escutaremos neste domingo, mais propriamente, a leitura do Evangelho, convida-nos a participar no diálogo entre Pedro e o Senhor. Pedro não compreendia que Jesus, o Rei que tanto esperavam, teria de morrer. Por isso, exclamou: «isso não há-de acontecer!». Os discípulos não percebiam o que estava a acontecer. Como é que Ele ia morrer e ressuscitar? Os discípulos não queriam mais sofrer. Eles tinham deixado tudo para seguir aquele a quem chamavam de Mestre.

A escolha. Esta dinâmica faz parte da nossa realidade humana. E compreendemos, ou por experiência própria, ou por imaginação, que a perda definitiva causa sofrimento. Pedro tinha medo de perder aquele em quem Ele ponha a sua confiança. Mas haveria razões para isso?

Jesus já tinha anunciado que tinha de morrer e ressuscitar; e, já tinha dado provas de que era realmente Filho de Deus. Assim como Pedro e os restantes discípulos, nós hoje também temos medo de arriscar por Deus. Mas está prometido: «Felizes aqueles que acreditam sem terem visto», disse Jesus a Tomé.

Pedro também teve medo; também negou Jesus; e, também teve dúvidas. Precisamos de pedir a Deus que fortaleça a nossa fé. Estaremos conscientes de que somos filhos deste Deus que morreu para nos salvar? Acreditamos nisto?

Viver em Deus é querer a cada dia abraçar o seu convite: «Vinde a Mim!». É, antes demais, escolher por Ele. É querer ganhar a vida que Jesus tem reservado para cada um de nós. E quem não escolher por Ele, esse perderá a vida. E perderemos já… Com Ele a vida é verdadeiramente vida. Sem Ele não olhamos como deveríamos olhar para tudo o que nos rodeia: «Na verdade, de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida?».

Celebrar eucaristia domingo após domingo, é já um sinal de queremos a presença de Jesus na nossa Vida. Não perderemos nada!