Vencer o terrorismo

Editorial

Uma vez mais, durante esta semana, disparou o sinal de alerta para o terrorismo. Em Espanha morreram 15 pessoas, tendo 135 ficado feridas devido a dois ataques terroristas. A dor e o medo foram lançados na Europa.

Do Papa Francisco surge a prece: “Que a violência cega do terrorismo não encontre mais espaço no mundo”. A ameaça do terrorismo não pode sequestrar pelo medo a nossa sociedade. Não podemos deixar de sair à rua e passear pelas praças, de participar em concertos ou festividades. Não devemos deixar morrer o entusiasmo de viajar e conhecer novos destinos, povos e culturas.

Fala-se do reforço das medidas de segurança. Em Portugal, rapidamente se decidiu recrutar 100 novos inspectores para o serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Instalam-se barreiras de protecção em ruas e praças movimentadas da capital, abrindo o convite a todo o país para pensar em novas estratégias de segurança. A partilha e o cruzamento de dados passa a ser maior entre os serviços de informação europeus. Inauguram-se amplos acessos aos dados de comunicações. No entanto, permanece a dúvida: Serão estas medidas suficientes? Ou será necessário ainda maior firmeza, e mais estratégias comuns, para derrubar o terrorismo?

O terrorismo alimenta-se de ódio, violência e morte. Deseja semear a confusão e a intolerância. Almeja roubar a paz e a liberdade. Os grupos terroristas vêem no outro somente um inimigo a abater. Pretendem chamar as atenções sobre si e ganhar o máximo de visibilidade, com o intuito de gerar ainda mais violência. Com os seus actos, pretendem atingir o maior número possível de pessoas.

O combate ao terrorismo passa, também, pelo desafio de cada um de nós vencer o olhar de desconfiança para com o outro, principalmente o estrangeiro, seja qual for a sua origem, língua ou cultura. Urge, por isso, fazer a distinção entre terrorista, estrangeiro, refugiado e migrante.

Os cristãos são chamados a desenvolver a cultura do acolhimento e da integração, capaz de ultrapassar as resistências impostas pelo medo e detectar os sinais de intolerância. A igreja tem como missão sair em direcção ao próximo. Conhecer a sua história de vida, reconhecer a sua dignidade e promover o seu bem integral.