A fragilidade da Vida

Editorial

© D.R.

Uma árvore tombou e abateu 13 vidas. Muitas outras ficaram feridas no corpo, na mente e no espírito. O dia do ano mais aguardado para a nossa comunidade e para todos os devotos de Nossa Senhora escondia uma tragédia que lacerou o nosso coração.

O Largo da Fonte, ao longo dos séculos, acolheu e saciou a sede a uma corrente imensa de peregrinos e visitantes. Espaço de encontro e comunhão. Lugar de celebração e de festa. As árvores seculares que o envolvem testemunham a história de um povo que reza e entoa hinos à Virgem Maria. A natureza é dom de Deus para os homens. Também ela agora partilha o nosso pesar.

Numa bela manhã de agosto, em dia de sol, a escuridão abateu-se rapidamente sobre nós. Inesperadamente. Tudo nos roubou: a vida, as palavras, a fé. Permaneceu o silêncio e a dor. Nesses momentos, as lágrimas são as únicas orações possíveis.

“Como a vida é frágil”. Depois do turbilhão de sentimentos é esta a expressão que hoje me acompanha como um convite a entrar no mistério. Procuro luz no pavio da esperança que ainda fumega. Abruptamente deixo-me arrastar para a consciência da verdade: A vida é frágil!

A vida deve ser acolhida com gratidão e como dom em toda a sua extensão. Desde o princípio até ao termo. A vida precisa de ser cuidada com amor, principalmente aquela tocada pela doença, solidão e sofrimento. A vida tem de ser defendida com tenacidade de todas as formas de ameaças.

As velas não acendidas, partidas e derrubadas no chão. Os círios que representam as vidas e suas histórias, as promessas e os sonhos, agora iluminam os passos dos que integraram a procissão rumo à igreja celeste.