Madre Virgínia e o culto a Nossa Senhora

Madre Virgínia Brites da Paixão

Foi há 104 anos, no dia 15 de agosto de 1913, que a mística madeirense Madre Virgínia Brites da Paixão (1860-1929) foi escolhida para ser a mensageira do culto ao Imaculado Coração de Maria, através da seguinte mensagem de Nossa Senhora: “Eu te elejo hoje por discípula caríssima do meu Imaculado Coração como o foi Margarida Maria do Coração do meu divino Jesus, a fim de desagravares com o teu amor este meu Imaculado Coração dos ultrajes e seres o canal por onde chegue até aos representantes do meu Filho Santíssimo na Terra, os desejos ardentíssimos do Seu e meu Puríssimo Coração com que continuamente me ofendem os meus filhos pecadores, me faças deles bem conhecido e amado, revelando-lhes os tesouros de graças com que esta Mãe bondosa os deseja enriquecer.”

Esta comunicação divina surgiu após uma outra visão espiritual que Madre Virgínia tivera já no mês de abril daquele mesmo ano, de acordo com o Pe. Prudêncio da Costa, seu confessor e autor de um “apontamento biográfico” sobre a religiosa clarissa que foi abadessa do Convento das Mercês e sofreu as perseguições à Igreja durante a implantação da República em Portugal. Assim, na primeira “revelação”, Jesus manifesta a Sua vontade de que “se espalhe e estabeleça esta terna devoção entre os homens, para que, por este único meio, eles alcancem misericórdia de Deus, meu Pai, de tantos crimes e atentados que nos últimos tempos se têm cometido contra Maria Imaculada.”

Igreja da Fajã do Penedo

Nesta sequência, a Igreja diocesana e a Santa Sé aprovaram o “culto” com a construção do “primeiro templo dedicado ao Imaculado Coração de Maria, na Madeira e no mundo”, na Fajã do Penedo, Boaventura; uma “capela” que “ foi solenemente benzida por D. António Manuel Pereira Ribeiro, a 23 de agosto de 1919”.

Ainda no mês e agosto, mas do ano de 1926, fez-se “ a consagração da diocese do Funchal ao Coração Imaculado de Maria”; e em maio de 1933, a “consagração da Madeira ao Coração Imaculado de Maria, no Terreiro da Luta, diante da gigantesca estátua de Nossa Senhora da Paz, feita com muita solenidade, em dia de grande peregrinação.”

Idêntico gesto de consagração da diocese do Funchal ao Imaculado Coração de Maria aconteceu em maio de 2010, aquando da cerimónia de despedida da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, junto ao Fórum de Machico, presidida por D. António Carrilho.