Turismo Religioso é fenómeno em crescimento

Também porque a fé não vai de férias

Sé do Funchal (exterior)

O turismo religioso ou “turismo de inspiração cristã” como lhe chama D. Jorge Ortiga, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana, é cada vez mais um fenómeno incontornável.

Em Portugal, segundo dados divulgados no ano passado pela secretária de Estado do Turismo, Ana Godinho, o turismo religioso atrai 3,3 milhões de visitantes estrangeiros. Só o santuário de Fátima recebeu mais de 5 milhões de visitantes no ano passado. A juntar a isso, e segundo dados do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia, Portugal recebeu 60,6 milhões de turistas em 2016.

Sé do Funchal

A Madeira, enquanto grande centro turístico e com uma Diocese com meio milénio de história, é parte integrante desta realidade. Tanto assim que a Pastoral do Turismo foi desde sempre assumida por D. António Carrilho “como uma preocupação e um investimento da Igreja local”. Claro que há uma constante necessidade de uma ação conjunta e concertada entre operadores, estudiosos e entidades eclesiásticas, sem a qual dificilmente se poderá desenvolver uma prática sustentável do turismo religioso.

Neste contexto, é muito importante a participação efetiva de quem pratica as principais vivências religiosas, porque são essas pessoas que conseguem perceber e identificar as necessidades dos turistas.

Além disso, é preciso não descurar a importância do turismo religioso na evangelização e missão uma vez que remete para o conhecimento de uma identidade própria de cada comunidade. Esta é uma forma de dar a conhecer a beleza de um património que precisa ser lido e transmitido.

Igreja de S. João Evangelista

A descodificação do património religioso é importante para quem promove um destino, quem acolhe e quem visita, que não pode e não deve ser considerado um intruso. A lógica da Pastoral do Turismo, da Igreja Católica, estar integrada na pastoral Social e Mobilidade Humana, é uma dimensão bem reveladora do acolhimento. E o acolhimento, diz D. Jorge Ortiga, «é um fator primordial na evangelização».

Três formas de abordagem

A abordagem ao turismo religioso pode ser feita de três formas distintas: a Espiritual, a Sociológica e a Cultural.

O turismo pode ser visto como um meio do indivíduo se aproximar de Deus, aqui se enquadra a vertente espiritual. É ainda um meio para o crente conhecer melhor a história do grupo a que pertence e aqui temos a vertente Sociológica e é ainda um modo do indivíduo, crente ou não, compreender as religiões que influenciam a sociedade e assim chegamos ao aspeto Cultural.

 

Sé do Funchal (interior)

Escolher a forma de pôr em prática cada uma destas vertentes cabe a cada um. Se for um “turista” dito “tradicional” vai certamente preferir viajar em grupo, acompanhado pela família, com um guia espiritual. Aqui se enquadram as muitas viagens que os párocos e outros elementos da comunidade costumam organizar, especialmente no verão. É nesta altura de férias, em que a vida de alguma forma desacelera diante da tão exaustiva rotina diária, que estas viagens se revelam importantes e uma forma até de responder ao convite do Papa: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação em que se encontre, a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo, ou, pelo menos, a deixar-se encontrar por Ele e de O procurar dia a dia sem cessar”.

Ou seja, somos convidados a manter a luz da fé acesa, sempre e em toda a parte, também durante as férias.

Se por outro lado estivermos a falar de um turista mais liberal, chamemos-lhe assim, certamente que este terá como objetivo estimular a sua espiritualidade e relembrar os mistérios da salvação. Poderá viajar em grupo, mas se calhar prefere fazê-lo só ou em família.

Já se for um apreciador de arte e cultura vai encarar a sua experiência, apenas do ponto de vista das ciências sociais, de tal forma que lhe é indiferente viajar só ou acompanhado.

Em qualquer dos casos Portugal em geral, e a Madeira em particular, tem muito para oferecer. Para uma melhor rentabilização do tempo, pode e deve procurar ajuda para identificar os locais de culto e celebração religiosa.

Saber quando acontecem as principais festas de cada localidade também é uma forma de melhor rentabilizar o tempo, especialmente no caso da Madeira, onde as celebrações se multiplicam particularmente no verão.

Praça do Município – Igreja de S. João Evangelista

No caso da Região, e apenas para dar alguns exemplos, os pontos de paragem obrigatórios, aqueles que fazem parte de qualquer roteiro seja religioso ou não, são a Sé do Funchal, a mais emblemática obra do período manuelino construída na Ilha da Madeira, obra do arquiteto Pêro Anes, mestre das obras reais. Praticamente inalterada desde o tempo da sua fundação, a catedral possui uma fachada simples, com um portal gótico de arquivoltas finas. O Colégio dos Jesuítas e a Igreja do Monte, onde estão sepultados os restos mortais do Beato Carlos da Áustria também podem e devem ser incluídos neste roteiro. Pode ainda visitar o Museu Mary Jane Wilson, na Rua do Carmo.

Todos este locais, pela sua importância e características, possuem uma dinâmica própria, também no que concerne ao acolhimento dos visitantes, tal como acontece com outros pontos de referência do Turismo Religioso no Continente.

Por outro lado, tendo a ilha uma implantação Fransciscana é nos conventos desta Ordem que encontramos as referências mais personalizadas a Santo António. Para quem queira empreender um Roteiro Antoniano pode e deve visitar os Museus de Arte Sacra e Quinta das Cruzes, a Casa Museu Frederico de Freitas e o Convento de Santa Clara (séc. XVI).

Local obrigatório de visita é também o Curral das Freiras, que foi refúgio das franciscanas clarissas para fugirem aos saques dos piratas. Não esquecer ainda o Convento de S. Bernardino, em Câmara de Lobos, onde viveu e morreu Frei Pedro da Guarda, , mas, também, a irmã Mary Jane Wilson.

LG