Vaticano: turismo sustentável com “rosto humano”

Mensagem para o Dia Mundial do Turismo

Na mensagem por ocasião do Dia Mundial do Turismo que será assinalado no próximo mês de setembro, a Igreja propõe um “turismo com o rosto humano”, ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa, que se traduz em “turismo de comunidade”, “de cooperação”, “de solidariedade”, envolvendo e valorizando o patrimônio artístico.

O Cardeal Peter Turkson, perfeito do dicastério da Santa Sé para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral assinou nesta semana a mensagem: “Turismo Sustentável: um instrumento ao serviço do progresso”. Recordando que a Organização das Nações Unidas proclamou o ano de 2017 como “Ano internacional do turismo sustentável para o desenvolvimento”.

Este organismo vaticano reconhece que o sector turístico ocupa no mundo uma expressão cada vez maior, representando 10% da economia mundial. “A cada 11 empregos, 1 se encontra no turismo”.

O conceito de “turismo sustentável” envolve três grandes áreas de sustentabilidade: a “ecológica” que procura respeitar os ecossistemas e o meio-ambiente, a “social” que é atenta às populações locais e ao seu património e a “económica” que promove o crescimento.

Com efeito, – afirma o documento – o tempo de férias não pode ser pretexto para a irresponsabilidade nem para a exploração: ao contrário, é um tempo nobre, no qual cada um pode agregar valor à sua vida e à dos outros“.

O turismo sustentável é um turismo atento aos direitos dos trabalhadores e à dignidade das pessoas mais desfavorecidas e vulneráveis constituindo um instrumento de combate à pobreza e de melhor qualidade de vida.

O turismo sustentável é também instrumento de progresso para as economias em dificuldade quando se torna veículo de novas oportunidades, e não fonte de problemas” – acrescenta.

O contributo cristão para a reflexão sobre o turismo sustentável permite considerar o ser humano não como dono mas como “administrador responsável” dos bens criados por Deus Pai que faz dos homens irmãos uns dos outros. O reconhecimento desta fraternidade leva à compreensão dos nossos deveres de “solidariedade, justiça e caridade universal”.

A mensagem deste dicastério da Santa Sé termina com uma afirmação do Papa Francisco num discurso às Nações Unidas no ano de 2015: “A casa comum de todos os homens deve continuar a erguer-se sobre uma reta compreensão da fraternidade universal e sobre o respeito pela sacralidade de cada vida humana, de cada homem e de cada mulher […] A casa comum de todos os homens deve edificar-se também sobre a compreensão duma certa sacralidade da natureza criada”.